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É Desporto

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22 de Junho, 2020

Vanderlei de Lima. Quando um padre confirmou o inevitável

Rui Pedro Silva

Vanderlei de Lima e o padre irlandês

Brasileiro fez grande parte da maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, isolado na frente. Quando começou a ceder, nos quilómetros finais, foi atacado por um padre irlandês que o atirou para a vedação. Vanderlei voltou à estrada, perdeu a medalha de ouro que se afigurava cada vez mais complicada, mas celebrou efusivamente o terceiro lugar do pódio.

A maratona nos Jogos Olímpicos de 2004 era uma das provas mais cobiçadas. Mais de 100 anos depois, a prova regressava ao estádio que coroara Spyridon Louis como o primeiro grande vencedor da competição na era moderna e a lista de candidatos era enorme.

Impulsionado pela motivação, o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, na altura com 35 anos e dois títulos continentais para amostra, decidiu isolar-se e partir em busca de história: tornar-se o primeiro corredor do Brasil a vencer a prova nos Jogos Olímpicos.

A vantagem sobre os adversários chegou a superar o minuto de diferença mas à passagem do quilómetro 35 as pernas já tremiam, a perseguição intensificava-se e as probabilidades de vitória eram cada vez mais diminutas. Ainda assim, ninguém esperou que as esperanças terminassem de forma tão abrupta, ao ser vítima de um ataque de um padre irlandês, Neil Horan, que, vestido de kilt e com uma bandeira, invadiu a estrada, correu na sua direção e o atirou para a vedação.

Com a ajuda do público, Vanderlei regressou à corrida, ainda na liderança mas por pouco tempo. Um par de quilómetros depois, foi ultrapassado pelo italiano Stefano Baldini – futuro campeão olímpico – e pelo norte-americano Meb Keflezighi.

O objetivo era claro: garantir a terceira posição, subir ao pódio e festejar a forma olímpica como tinha resistido a tudo – até ao inesperado – durante a prova. À entrada no histórico Panathinaiko, Vanderlei de Lima era um homem feliz, com um sorriso rasgado e correndo em pequenas curvas para assinalar os festejos.

Os milhares de espetadores, sabendo o que se tinha passado, ovacionaram-no como se de um vencedor se tratasse. E com razão. A medalha de bronze foi garantida com 15 segundos de vantagem sobre o britânico Jon Brown e, além do metal precioso, recebeu também a medalha Pierre de Coubertin, para premiar o seu desportivismo e a forma como reagiu ao ataque.

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