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É Desporto

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24 de Junho, 2020

Valentina Vezzali. Um duelo de aldeia na final olímpica

Rui Pedro Silva

Valentina Vezzali

Final do florete individual feminino dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, pôs frente a frente duas esgrimistas italianas, Valentina Vezzali e Giovanna Trillini. Mas as duas atletas não partilhavam apenas a mesma nacionalidade: partilhavam experiências, feitos históricos e, surpreendentemente, a mesma pequena terra na província de Ancona.

Giovanna Trillini nasceu a 17 de maio de 1970, em Jesi. Quatro anos depois, no Dia dos Namorados, a mãe de Valentina Vezzali deu à luz em… Jesi. Ainda ninguém sabia mas aquela pequena localidade, que hoje não tem mais de 40 mil habitantes, tinha acabado de reunir duas das esgrimistas mais brilhantes do país, o que, na nação que festejou os feitos de Edoardo Mangiarotti, não é apenas um pormenor.

Jesi habituou-se a celebrar os títulos de ambas. Mais velha, Trillini começou a dar nas vistas nos grandes palcos no Mundial de 1991, quando garantiu o título no florete. A benjamim da dupla, Valentina Vezzali, só se estreou dois anos depois e não foi além da sexta posição.

Mas em 2004, quando uma tinha 34 anos e a outra 30, o currículo de ambas era verdadeiramente impressionante. No maior palco, os Jogos Olímpicos, Trillini conquistara seis medalhas (quatro de ouro), enquanto Vezzali tinha quatro pódios (com três títulos, apenas um individual, incluídos).

Quando a prova de florete individual arrancou em Atenas, toda a Itália começou a desenhar uma final «de aldeia» entre as duas atletas. Passo a passo, foram afastando adversárias até chegar o duelo tão antecipado.

O equilíbrio fez daquele confronto um verdadeiro thriller. Na primeira série, Trillini vencia por 1-0 e, depois de duas, registava-se um empate a seis. Mais jovem e com mais sede de vitórias, Vezzali partiu para uma terceira série imparável, acabando por vencer 15-11.

Valentina Vezzali assumia-se cada vez mais como a maior mestre do florete. Quatro anos antes, sagrara-se campeã olímpica numa prova individual pela primeira vez ao derrotar a alemã Rita König. Agora revalidara o título contra a sua amiga de longa data e grande rival nacional.

Se para Trillini aquele foi o início do fim, despedindo-se da carreira olímpica em 2008 com mais uma medalha coletiva e um balanço de quatro ouros, uma prata e três bronzes, para Vezzali foi a confirmação de que era uma das melhores esgrimistas do século XXI.

O adeus olímpico deu-se em Londres-2012 com mais duas medalhas: ouro no florete por equipas e bronze no florete individual. O balanço final é esclarecedor: seis medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze. O mais impressionante é o facto de ter subido sempre ao pódio no florete individual durante as cinco participações olímpicas: prata em Atlanta-1996, ouro em Sydney-2000, Atenas-2004 e Pequim-2008, e bronze em Londres-2012.

E tudo isto com Jesi a festejar cada medalha, fosse de Vezzali ou de Trillini. Para uma pequena terra de menos de 40 mil pessoas, não está nada mau ter um total acumulado de dez títulos e 17 medalhas olímpicas. Talvez seja da água.

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