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É Desporto

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05 de Fevereiro, 2022

Teresa Stadlober. Quebrar o enguiço de uma família inteira

Rui Pedro Silva

Teresa Stadlober

«Quem espera sempre alcança» é um dos provérbios mais utilizados da língua portuguesa. Pretende demonstrar que vale a pena trabalhar para alcançar algo, ser persistente, não desistir, não virar a cara à luta e acreditar que, mais tarde ou mais cedo, se o esforço certo for feito, a recompensa acabará por chegar.

O provérbio é português mas é provável que os austríacos estejam a repeti-lo um pouco por todo o lado depois deste primeiro dia a sério dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim-2022. E tudo por culpa de Teresa Stadlober. Ou, para sermos mais abrangentes, da família Stadlober. 

Mas já lá vamos. Primeiro, é preciso centrar a informação no que se passou na capital chinesa durante a final de esquiatlo feminino. A austríaca podia não ser necessariamente uma grande favorita, mas sentia que tinha uma palavra a dizer.

Apesar de não ter conseguido fazer frente à norueguesa Therese Johaug, esteve muito perto de alcançar a medalha de prata e acabou por contentar-se com o bronze por uma questão de três décimas de segundo.

Pode ter sido um sabor agridoce mas o resultado final é mais importante e não se limita à carreira de Stadlober, mesmo que até fizesse sentido achar que sim. O certo é que Teresa tem a sua quota parte de objetivos destruídos em Jogos Olímpicos.

Ora vejamos. A atleta de 29 anos surgiu em Pequim para a sua terceira edição de Jogos de Inverno. Até então tinha participado num total de oito provas, quatro em Sochi e outras quatro em PyeongChang. Tinha quatro resultados no top-10 mas nunca tinha ficado acima do sétimo lugar, precisamento no esquiatlo feminino, mas na Coreia do Sul.

O problema dos números é que nem sempre contam tudo, por isso é mesmo melhor dar a palavra à própria atleta depois da conquista do bronze. «É fantástico, não tenho palavras. Há quatro anos estava empatada por uma medalha mas cometi um erro perto do fim e não a consegui», lamentou.

Teresa Stadlober garante que trabalhou para alcançar finalmente este pódio durante os últimos quatro anos. «Sempre tive o sonho de conquistar uma medalha. Agora consegui-a e é inacreditável», garantiu.

O objetivo de uma vida era também o da família Stadlober. O pai de Teresa, Alois, participou nos Jogos Olímpicos de 1984, 1988, 1992, 1994 e 1998 e nunca tinha conseguido melhor do que um oitavo lugar. A mãe, Roswitha, esteve nos Jogos de 1994 e 1998, no esqui alpino, e não foi além do quarto lugar na prova de slalom… nas duas edições. Finalmente, o irmão Luis também participou no cross-country em 2018 e terminou na 13.ª edição.

Feitas as contas, a família Stadlober tinha até 2022 um total de dez presenças em Jogos Olímpicos sem uma única medalha. Teresa Stadlober quebrou finalmente o enguiço e assumiu-se como a melhor atleta da família. Já se sabe qual será a história constante em todos os jantares de Natal.

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