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É Desporto

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08 de Junho, 2020

Sun-hui Kye. Quando a ignorância é uma virtude

Rui Pedro Silva

Sun-hui Kye

Judoca norte-coreana tinha 16 anos e saiu da sombra para surpreender o mundo a caminho da medalha de ouro na categoria dos -48 quilos. As adversárias não sabiam nada sobre ela e ela nunca tinha visto as principais candidatas. Foi um dos maiores choques da competição.

Se há momentos em que a ignorância pode ser uma virtude, a forma como Sun-hui Kye atingiu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, é claramente uma delas. Numa categoria que tinha tudo para ser dominada pela japonesa Ryoko Tamura, a norte-coreana surpreendeu e tornou-se a judoca mais nova na história a vencer um título na modalidade.

Os tatamis de Atlanta estavam preparados para receber a prodígio japonesa. Quatro anos antes, em Barcelona, ela própria tinha surpreendido as adversárias com apenas 16 anos, terminando com a medalha de prata.

A apresentação ao mundo fora feita e até 1996 não perdeu um único duelo, assumindo-se claramente como superfavorita ao lugar mais alto do pódio. Só não contava, como ninguém podia contar, com o surgimento de alguém nos mesmos moldes.

Kye não se qualificou para os Jogos Olímpicos. Chegou a Atlanta graças a um wild-card e parecia não ser mais do que uma misteriosa norte-coreana no meio de todas as outras candidatas a destronar Tamura.

Foi mais, muito mais do que isso. Com um estilo corajoso, sem se importar com o prestígio ou palmarés das adversárias – afinal de contas, confessou que nunca tinha visto nenhuma delas a combater -, seguiu imparável até à final.

Para Tamura, foi a segunda desilusão da carreira olímpica. A primeira como crónica favorita. Sun-hui Kye partiu sem pudores para a final e, nos últimos 22 segundos do combate, pontuou por duas vezes e garantiu a surpresa, abrindo caminho para uma carreira plena em Jogos Olímpicos.

Quatro anos depois foi bronze em -52 quilos e em 2004 terminou com a medalha de prata na categoria de -57 quilos. Em Mundiais, porém, o seu domínio foi intocável: campeã dos -52 quilos em Munique-2001 e dos -57 quilos em Osaka-2003, Cairo-2005 e Rio de Janeiro-2007.

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