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É Desporto

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23 de Julho, 2021

Saurabh Chaudhary. O pesadelo noturno dos vizinhos

Rui Pedro Silva

Saurabh Chaudhary

As histórias de persistência dos atletas olímpicos costumam evidenciar sintomas de resiliência, de rasgar o verbo desistir do dicionário, de estar disposto a tudo para perseguir um objetivo. Para o indiano Saurabh Chaudhary, a história começou da pior maneira para os vizinhos.

Os ingredientes não são muito diferentes dos dos grandes atletas de outras modalidades. Se as crianças futebolistas são peritas em partir vidros com remates ao ângulo, Saurabh acordava a vizinhança toda enquanto treinava à noite.

O jovem indiano fez da sua casa um campo de tiro. Depois de colocar um alvo no seu quarto, andava para trás os passos necessários e disparava… noite e dia. Para os vizinhos, foi como viver nos Estados Unidos. Havia tiroteios todos os dias. Mas toda a gente sabia que aqui não havia feridos. Era o pequeno Saurabh a caminho de fazer história pelo seu país. «Começaram por queixar-se todas as manhãs e perguntavam o que se andava a passar à noite mas depois habituaram-se».

Saurabh também se habituou… a ser bom. E a história começou a surgir no seu horizonte ainda durante a adolescência. Com 16 anos tornou-se o indiano mais jovem da história a vencer uma medalha de ouro nos Jogos Asiáticos. Foi em 2018, na Indonésia. Mas os grandes resultados não se ficaram por aqui.

O número dois do ranking mundial tem 19 anos e arrisca-se a ser o segundo atleta indiano na história a dar um título olímpico ao seu país. Apesar de ter já conquistado nove medalhas de ouro na sua história, apenas Abhinav Bindra – também ele um atirador – conseguiu subir ao lugar mais alto do pódio, nos Jogos de Pequim, em 2008, na prova de 10 metros com carabina de ar comprimido (Saurabh vai competir na de 10 metros com pistola de ar comprimido).

Nem mesmo PV Sindhu, a jogadora de badminton mais famosa da Índia e uma das melhores atletas na sua história, conseguiu chegar ao ouro. Tirando Bindra, as medalhas de ouro só chegaram através das equipas de hóquei em campo masculinas. E não foram poucas: Moscovo-1980, Tóquio-1964, Melbourne-1956, Helsínquia-1952, Londres-1948, Berlim-1936, Los Angeles-1932 e Amesterdão-1928.

Com Saurabh Chauhary, as expectativas nunca estiveram tão altas para o povo indiano. Afinal, estamos a falar de alguém que já conseguiu juntar os títulos no Mundial, Taça do Mundo, Jogos Olímpicos da juventude e Jogos Asiáticos. O favoritismo, tal como a pressão, vão estar todas do seu lado. Mas não deve ser problema para alguém habituado a brilhar com pistolas de ar comprimido. Até os vizinhos estarão a torcer por ele.

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