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É Desporto

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26 de Julho, 2021

Saeid Mollaei. O homem que só se deixou perder uma vez

Rui Pedro Silva

Saeid Mollaei

Esta história de Saeid Mollaei começa e acaba em Tóquio com dois anos de intervalo. É uma história de um atleta que pôs o desportivismo e a vontade de vencer acima de tudo o resto, incluindo pressões e ameaças governamentais. É a história de alguém com as prioridades certas e que se recusou a servir de peão num conflito com Israel.

Vamos por partes. Viajamos até 2019 para os Mundiais de Judo disputados em Tóquio. Saeid Mollaei foi avançando ronda atrás de ronda e atingiu as meias-finais com boas esperanças de revalidar o título mundial na categoria de -81 quilos alcançado um ano antes em Baku, no Azerbaijão.

Mollaei era favorito no duelo contra o belga Matthias Casse mas a pressão governamental entrou em cena. O ministro do Desporto e os presidentes da federação e do Comité Olímpico exigiram que Mollaei perdesse para garantir que não houvesse um duelo na final contra Sagi Muki. Porquê? Porque era israelita.

Não foi a primeira vez que algo do género aconteceu em nome de um conflito insanável e também não será a última (já aconteceu precisamente nestes Jogos Olímpicos). Mas Saied Mollaei não se conformou e decidiu agir. Logo no mesmo mês fugiu para a Alemanha e foi-lhe concedido um visto de dois anos.

A Federação Internacional de Judo também interveio e suspendeu o Irão das competições tendo em conta a violação grosseira dos estatutos do organismo, mantendo a sanção até que o Irão proporcionasse provas e garantias de que aceita os legítimos interesses, princípios e objetivos da federação. Sem esquecer, claro está, que aceita que os seus atletas compitam contra israelitas.

A carreira de Mollaei continuou - apesar das ameaças constantes oriundas do Irão - e a Alemanha não passou de um ponto intermédio. Da Europa, o judoca foi para a Mongólia, depois de o presidente do país lhe ter oferecido a nacionalidade mongol. Mollaei estava preparado para competir como refugiado mas agora está nos Jogos Olímpicos com a bandeira de um país com muita tradição na modalidade.

«Posso competir onde quiser. O meu objetivo é vencer os Jogos Olímpicos. Pode ser muito difícil, mas o meu sonho é este. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para dar à minha família a alegria de uma medalha olímpica», disse. O sabor será o mesmo, mesmo que tenha de soar o hino da Mongólia.

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