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É Desporto

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01 de Agosto, 2021

Rommel Pacheco. O adeus olímpico antes do congresso mexicano

Rui Pedro Silva

Rommel Pacheco

Despedidas há muitas e o mexicano Rommel Pacheco quer uma em grande. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, na sua quarta edição, o saltador para a água de 35 anos vai dizer adeus ao desporto antes de abraçar outro grande palco: o da política no México.

Vamos por partes. «Gostaria de dizer adeus com uma medalha em Tóquio. É complicado, sim, e muito difícil, também, mas não é impossível. É essa a magia do desporto: nada está escrito e os resultados nos Jogos Olímpicos são sempre incertos. Vou dar o meu melhor: tenho anos de experiência e vou usar tudo o que aprendi para tentar segurar esta medalha», garantiu.

A dedicação de Rommel Pacheco surgiu muito cedo. Com doze anos, em 1998, decidiu deixar a casa dos pais e dos dois irmãos para perseguir o sonho olímpico e ir viver para as instalações do Centro Desportivo Olímpico Mexicano na capital do país. Rommel tinha um objetivo e não ia deixar que nada o impedisse.

Seis anos depois, chegou ao primeiro grande palco olímpico, em Atenas, com a participação nas provas de três metros de trampolim e de 10 metros de plataforma. Foi décimo em ambas, tomou-lhe o gosto e nunca mais desapareceu. Em Pequim conseguiu um oitavo lugar na prova de 10 metros de plataforma e há cinco anos, no Rio de Janeiro, alcançou as suas duas melhores marcas: quinto nos saltos sincronizados de três metros e sétimo nos saltos de três metros de trampolim.

Nunca conseguiu uma medalha mas nem por isso deixou de ser uma figura da modalidade. Em Mundiais, num total de oito edições, somou três pódios mas… nunca saboreou o ouro. Agora, em Tóquio, o objetivo parece ser o mesmo: manter a trajetória ascendente e dizer adeus com estrondo (mas sem chapa).

A prova só está agendada para 2 de agosto mas a participação de Rommel começou na cerimónia de abertura, com o estatuto de porta-estandarte. «Não existe um orgulho maior do que o de ser mexicano. Hoje tive uma das maiores honras da minha vida: carregar a bandeira do México na inauguração dos Jogos Olímpicos. Fiquei com pele de galinha por toda a emoção e consegui sentir as boas vibrações do México inteiro», escreveu nas redes sociais.

Rommel Pacheco está longe de ser uma figura desconhecida no seu país, e não é apenas pelo seu passado como desportista. Rommel Pacheco é tenente do exército mexicano desde 2010 e nos últimos meses foi eleito para a Câmara dos Representantes do Congresso Mexicano.

Quando disser finalmente adeus em Tóquio, vai abraçar a carreira de deputado federal, apesar de garantir que nunca esquecerá o desporto. Pelo meios foi o que disse em 2018: «Tenho de preparar a minha vida para o que vier a seguir à minha carreira de atleta, mas sei que vou continuar ligado ao desporto».

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