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É Desporto

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26 de Agosto, 2021

Pin Xiu Yip. S(w)im, senhora deputada

Rui Pedro Silva

Pin Xiu Yip

Uma distrofia muscular diagonisticada à nascença fez com que a vida de Pin Xiu Yip nunca pudesse ser aquilo que os pais tinham sonhado para ela. Mas, às vezes, como diz o ditado, os caminhos guardados acabam por trazer surpresas e Yip é, hoje, uma das figuras mais conceituadas em Singapura.

Nascida em 1992, Yip começou a nadar com seis anos. «A capacidade que tenho para me mover livremente é a razão para adorar a natação». E adorar talvez seja um eufemismo. Yip chegou às provas de competição com 12 anos, em 2004, e apenas quatro anos depois, nos Jogos Paralímpicos de Pequim, tornou-se a primeira atleta de Singapura a vencer uma medalha de ouro no evento (50 metros S3).

Foi apenas o início de uma longa caminhada. Em Pequim venceu ainda uma medalha de prata, em Londres ficou duas vezes à porta do pódio com um quarto lugar e no Rio de Janeiro fez a dobradinha nos 50 e 100 metros costas em S2. É precisamente esse o objetivo que levou para Tóquio e, para já, metade está concluído com sucesso, graças ao primeiro lugar na prova de 100 metros.

Com quatro medalhas de ouro e uma de prata, Yip tem neste momento 50% dos sucessos do seu país em Jogos Paralímpicos. Sem ela, Singapura teria apenas uma medalha de bronze na natação, e uma de prata e três de bronze no equestre. Ou seja, Yip continua a ser a única campeã paralímpica formada pelo seu país. Outra curiosidade é que as dez medalhas se dividem por apenas três atletas: Yip tem cinco medalhas, Laurentia Tan conquistou as quatro da equitação entre Pequim e Londres e há cinco anos, no Rio de Janeiro, Theresa Goh Rui Si alcançou uma medalha de bronze na natação.

Uma parte indissociável da carreira de Pin Xiu Yip é o cargo que representou como deputada do parlamento de Singapura entre 2018 e 2020. «Nos anos em que nadei, há duas coisas que me deixaram feliz por fazer. Uma foi ganhar medalhas. A outra foi ajudar a tornar as pessoas mais conscientes para os desportos adaptados em Singapura», afirmou.

«As pessoas percebem um pouco melhor agora, sabem que existe e espero que possa continuar assim. Por isso quando me deram uma plataforma para fazer alguma coisa em relação a isso, aproveitei. Não me via como um modelo a seguir mas sentia a responsabilidade de retribuir para a sociedade e de continuar a defender o desporto adaptado a crescer», continuou.

Yip reforça que o desporto lhe deu muito na vida. «Não quero retribuir apenas para a comunidade do desporto adaptado. Espero mesmo ver uma Singapura onde toda a gente viva um estilo mais ativo e saudável».

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