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É Desporto

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08 de Maio, 2020

Nadia Comaneci. A perfeição da romena inesquecível

Especial Jogos Olímpicos (Montreal-1976)

Rui Pedro Silva

Nadia Comaneci

É difícil falar nas maiores figuras da história dos Jogos Olímpicos sem que a conversa passe, inevitavelmente, por Nadia Comaneci. Aos 14 anos, a romena foi uma das maiores figuras de Montreal-1976 e saiu do Canadá como uma heroína a nível global, com cinco medalhas e prestações inesquecíveis que lhe valeram o primeiro 10 na história da ginástica artística.

Nadia Comaneci é um nome que supera as fronteiras do desporto. Quem a viu em Montreal, com rosto de criança e uma graciosidade contagiante, não esquece, mas já passaram mais de 40 anos e a lenda continua a crescer.

Não é preciso ter visto. Não é preciso saber o que fez, o que alcançou, os recordes que bateu. Mas sabe-se que Nadia Comaneci é uma lenda da ginástica artística. Do desporto. Dos Jogos Olímpicos. E que o fez numa era em que o mundo parava para ver as melhores atletas.

O mundo ainda não se tinha recomposto da história de Olga Korbut, quatro anos antes em Munique, quando uma romena de 14 anos apareceu para pôr em causa tudo o que se conhecia até então. Sozinha, foi incapaz de garantir o ouro do seu país na prova por equipas – perdido para a União Soviética -, mas o conjunto das exibições de sonho estava apenas no começo.

Nadia Comaneci conseguiu o que nunca ninguém tinha conseguido: a perfeição. E fê-lo mais do que uma vez, como se fosse possível parar cada gesto, a cada momento, para aprimorar o movimento e garantir figuras irrepreensíveis a cada nova manobra.

A adolescente do Cáucaso tinha uma queda para a precocidade. Na primeira vez que participou num campeonato nacional, não passava de uma criança com oito anos. Ficou em 13.º e começou a apresentar o cartão de visita para o futuro. Estávamos em 1970, a década tinha acabado de mudar e a ginástica assumia-se, cada vez mais, como uma prova imperdível dentro dos Jogos Olímpicos.

Em Montreal, o público canadiano foi obrigado a esfregar os olhos e a limpar as lentes, se existissem, para garantir que o que estava a ver era real. Tinha percebido – era impossível não o fazer – que Comaneci era especial mas a nota nas paralelas assimétricas, ainda na prova por equipas, gerou um burburinho no pavilhão: 1.00. Não foi preciso esperar muito para que se percebesse o que tinha acabado de acontecer – o marcador não estava preparado para uma nota máxima. A primeira nota máxima da história.

A multidão ficou em êxtase. Ovacionou Comaneci. Obrigou-a a regressar ao centro das atenções por duas vezes diferentes para, com uma vénia, coroar aquele momento com a sua ingenuidade e agradecimento envergonhado. O mundo era dela. E estava cheio de testemunhas.

Nadia Comaneci não ficou por ali. Tinha mais a dar. Já sem outras romenas a atrapalhá-la, partiu para uma série de aparelhos que também entraram na história, somando a nota máxima em duas ocasiões: novamente nas paralelas assimétricas e na trave.

O público já nem conseguia acompanhar. Os juízes estavam rendidos. As rivais, exceptuando a soviética Nelli Kim, tinham capitulado. E a romena seguiu, triunfantemente, até à medalha de ouro no concurso completo, derrotando a grande rival por seis décimas e tornando-se a vencedora mais jovem na história dessa categoria.

A vida desportiva de Comaneci não se ficou por ali. Mesmo em Montreal conquistou mais duas medalhas de ouro e uma de bronze. Mas era aquele momento, no final do concurso completo, que a tinha catapultado para a glória imortal.

Hoje, Comaneci não é a atleta com cinco títulos olímpicos, três pratas e um bronze divididos entre Montreal e Moscovo. Hoje, Comaneci não é a ginasta mais jovem de sempre – e continuará a sê-lo – a ganhar o concurso completo. Hoje, Comaneci não é a figura de Montreal-1976. Hoje, Comaneci é símbolo de perfeição. É sinónimo de nota máxima. De um dos momentos mais perfeitos na história dos Jogos Olímpicos. É especial.

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