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É Desporto

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06 de Março, 2021

Mike Conley. A recompensa de saber esperar

Rui Pedro Silva

Mike Conley

Não foi com pompa. Foi apenas uma circunstância. Mike Conley sabe que está a viver as suas últimas oportunidades e o sonho de ser all-star parecia cada vez mais uma viragem mas, de repente, o cenário mudou.

Foi preciso esperar pela 14.ª temporada. E pela lesão de Anthony Davis. E ainda pela lesão de Devin Booker. Mike Conley, base dos Utah Jazz, tem 33 anos e vai chegar ao jogo das estrelas como o «substituto do substituto». Mas isso pouco interessa. Pormenores como esses são esquecidos num estalar de dedos e o estatuto viverá para sempre. É como um ator depois de ser nomeado para um Óscar – já sabe que o prefixo vai acompanhá-lo para sempre.

Quando entrar em campo, Mike Conley terá 33 anos e 147 dias. Na história da NBA, apenas quatro jogadores atingiram este estatuto com mais tempo de vida: Kyle Korver (33 anos e 335 dias em 2015), Anthony Mason (34 anos e 59 dias em em 2001), Sam Cassell (34 anos e 89 dias em 2004) e Nat Clifton, o veterano dos veteranos (34 anos e 94 dias em 1957).

A paciência de Mike Conley não foi suficiente para fazer dele um recordista. Ou talvez tenha feito. Se olharmos para a estatística de outro modo, talvez o base surja num campeonato à parte. Nat Clifton conseguiu a estreia mais velha mas fê-lo na sétima temporada na liga. Sam Cassell esperou 11 temporadas, Kyle Korver 12 e Anthony Mason 13. Neste dado, Mike Conley está mesmo isolado (14).

Viver na sombra de outros tem sido o denominador comum da carreira do jogador, mesmo antes de chegar à NBA. Em 2006/07, ao serviço dos Ohio State Buckeyes, equipa que atingiu a final do campeonato universitário, Conley era o braço-direito de Greg Oden, o poste dominador que seduziu os Portland Trail Blazers para a primeira escolha do draft de 2007, imediatamente à frente de Kevin Durant. A vez de Conley chegou na quarta posição, que pertencia aos Memphis Grizzlies.

A equipa do Tennessee é quase a definição perfeita de «sombra dos outros». Joga na conferência Oeste apesar de estar a Este do rio Mississippi, não é um grande mercado e, apesar de ter tido temporadas ameaçadoras, de «grit & grind», com Mike Conley, Marc Gasol, Tony Allen e companhia, nunca se assumiu como uma potência ou grande candidato ao título.

E o seu base também nunca foi a maior estrela a Oeste. Desde a estreia em 2007, Conley teve de disputar atenções com Steve Nash, Allen Iverson, Kobe Bryant, Chris Paul, Russell Westbrook, James Harden, Steph Curry, entre muitos outros. Agora, num ápice, tudo mudou.

A época é a mais atípica de todas as temporadas atípicas e a lesão de Anthony Davis levou a que Devin Booker fosse selecionado para o seu lugar. Mas, quando a alternativa se lesionou, foi o comissário da liga, Adam Silver, que decidiu optar por Mike Conley para compor o leque de jogadores convocados do Oeste, numa altura em que o draft das duas equipas até já tinha sido feito pelos capitães LeBron James e Kevin Durant.

Mike Conley está a cumprir a segunda temporada ao serviço dos Utah Jazz e, depois de um início titubeante, ganhou o seu espaço e tem um papel decisivo para os resultados sólidos da equipa de Salt Lake City, que chegou à pausa com o melhor registo da liga (27 vitórias e nove derrotas).

É muito improvável que Conley seja a estrela mais cintilante do fim de semana. Porque nunca é. Porque houve Greg Oden. Porque houve Marc Gasol. Porque houve Steve Nash, Steph Curry e tantos outros. E porque agora há Donovan Mitchell e Rudy Gobert. Mas para Conley nada disso importa e, tantos anos depois, continua a fazer o seu trabalho e a contribuir como pode. A paciência finalmente recompensou.

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