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É Desporto

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11 de Junho, 2020

Michael Johnson. A dobradinha histórica 200/400

Rui Pedro Silva

Michael Johnson

Norte-americano foi uma das figuras do atletismo na década de 90 e durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, alcançou uma proeza inédita na história do desporto mundial: foi campeão nos 200 e 400 metros.

«Estou aqui para vencer e ser feliz.» A mensagem de Michael Johnson quando chegou a Atlanta para o regresso dos Jogos Olímpicos em 1996, apenas doze anos depois de Los Angeles, dizia tudo. Cada vez mais indiferente à azeda troca de palavras com Carl Lewis, o velocista de 28 anos só se preocupava em saborear finalmente o ouro numa prova individual.

O currículo de Michael Johnson dispensava apresentações. Fora campeão do mundo dos 200 metros pela primeira vez em 1991 e recuperara o título em 1995, em Gotemburgo. Quanto aos 400 metros, o domínio era inatacável: campeão mundial em 1993 e 1995, viria a sê-o novamente em 1997 e 1999.

A volta à pista era a maior especialidade de Michael Johnson. Conhecido como um dos melhores atletas da história a correr em curvas, e com um estilo de corrida inconfundível, o texano apresentou-se em Atlanta com 55 vitórias consecutivas na distância e um total de sete das dez melhores marcas na história da corrida.

A incógnita nos 200 metros era maior, mas Michael Johnson fez questão de mostrar ao mundo que, apesar da concorrência feroz de Frankie Fredericks e Ato Boldon, da Namíbia e de Trindade e Tobado, estava talhado para fazer história nos Jogos.

Michael Johnson queria desforrar-se de si mesmo. Quatro anos antes, em Barcelona, cometera um deslize em vésperas dos 400 metros, durante uma refeição em Salamanca, e fora arrasado por problemas intestinais, reduzindo a sua participação a um pouco saboroso triunfo na estafeta dos 4x400 metros.

Quando teve uma nova oportunidade, não vacilou. Dominou, como era esperado, as eliminatórias dos 400 metros e até correu a final com umas sapatilhas douradas, deixando logo perceber o que iria acontecer ao cruzar a meta. Com um tempo de 43.49 segundos, praticamente um segundo mais rápido do que o britânico Roger Black, Johnson bateu o recorde olímpico e alcançou finalmente uma medalha de ouro numa prova individual.

Poucos dias depois, apresentou-se nos 200 metros com um objetivo único: tornar-se o primeiro corredor da história a juntar o título olímpico no duplo hectómetro ao da volta à pista. E cumpriu… com distinção.

Imune ao desgaste da sucessão de eliminatórias, fechou a distância com um novo recorde do mundo, 19.32 segundos, que só viria a ser batido 12 anos e 19 dias mais tarde por um tal Usain Bolt, nos Jogos Olímpicos de Pequim.

Michael Johnson saiu de Atlanta com o ego no topo e com a reputação intacta. Até 2000, no ano em que revalidou o título olímpico dos 400 metros, coroando com chave de ouro uma década de total domínio, estabeleceu ainda um novo recorde mundial da volta à pista, fixado em 43.18 segundos.

Encarado como uma das marcas mais difíceis de bater, este recorde só foi superado na última edição dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, quando um jovem sul-africano chamado Wayde Van Niekerk ficou pertíssimo de se tornar o primeiro atleta a baixar dos 43 segundos (43.03).

Michael Johnson pode ter perdido os recordes do mundo mas mantém a aura de atleta incrível. Pode ser fraca consolação mas continua a ser o único a juntar a medalha de ouro nos 200 e 400 na mesma edição de Jogos Olímpicos. Até quando?

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