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É Desporto

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26 de Junho, 2020

Matthew Emmons. Da sabotagem à medalha de ouro

Rui Pedro Silva

Matthew Emmons

Competiu com uma carabina emprestada depois de a sua ter sido adulterada no centro de treinos nos Estados Unidos uns meses antes. Nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, esteve perto de conseguir uma dobradinha inédita mas um último tiro completamente falhado impediu o objetivo. Ainda assim, há males que vêm por bem.

«Não sei quem foi mas gostava de saber. Gostava de lhe apertar a mão e agradecer.» A frase de Matthew Emmons parece irónica. O atirador norte-americana viu a vida andar para trás quando, em vésperas de Jogos Olímpicos, chegou ao centro de tiro nos Estados Unidos e percebeu que estava algo errado com a sua arma. Apesar de guardada a cadeado, tinha sido adulterada e não estava em condições.

A sabotagem fez com que começasse a treinar com a carabina de Amber Garland, que tinha conhecido na universidade e com a qual mantinha contacto por serem colegas de equipa. Matthew tinha 23 anos e um objetivo muito claro: brilhar nos Jogos Olímpicos de Atenas no verão.

A meta não era demasiado ambiciosa: afinal de contas, ninguém sabota armas de simples desconhecidos. Matthew Emmons era o campeão mundial da carabina a 50 metros, três posições, e gostava de conseguir duas medalhas de ouro na sua estreia olímpica.

A adaptação à nova arma foi perfeita, vencendo a medalha de ouro na competição de carabina a 50 metros, posição fixa, com pouco mais de um ponto de vantagem sobre o alemão Christian Lusch. Faltava apenas mostrar a razão para ser campeão do mundo na outra disciplina, agendada para dois dias mais tarde.

Emmons procurava tornar-se o primeiro atirador da história a acumular os títulos olímpicos nas duas especialidades. E tudo parecia perfeito, com tiros precisos e uma vantagem que crescia a cada passagem e mudança de posição. Faltava apenas um tiro para fechar com chave de… ouro. Mas aconteceu uma desgraça: Emmons atirou ao alvo errado, não fez qualquer ponto e caiu do primeiro para o oitavo lugar.

O desalento provocou uma onda de solidariedade no evento. Entre as pessoas que fizeram questão de o consolar estava uma atiradora checa, Katerna Kurkova. Os dois não se conheciam mas deram-se bem, começaram a falar cada vez mais e… casaram três anos depois.

Em Pequim, Matthew Emmons voltou a contar com um grande azar no currículo, ao perder novamente o título na carabina a 50 metros, três posições, no último tiro, disparando um projétil inadvertidamente e sem a pontaria feita. Desta feita caiu para o quarto lugar, contentando-se apenas com a prata que tinha vencido em posição fixa.

Em 2012, na terceira e derradeira oportunidade de ganhar uma prova nas três posições, e já depois de ter sido diagnosticado com um cancro na tiróide, não teve qualquer azar a intrometer-se pelo caminho mas também não conseguiu saborear o ouro. Ainda assim, depois dos incidentes de 2004 e de 2008 ficou mais do que satisfeito ao terminar com o terceiro lugar. Tinha-se fechado um ciclo.

O casal Emmons terminava a carreira com um currículo olímpico perfeitamente idêntico: uma medalha por cada posição do pódio.

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