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É Desporto

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28 de Abril, 2020

Mark Spitz. Os sete ouros do homem do bigode

Especial Jogos Olímpicos (Munique-1972)

Rui Pedro Silva

Mark Spitz

Não havia preocupações com aerodinâmica. Não se reduzia o atrito até ao pormenor absurdo. Mark Spitz tinha bigode… e orgulho nisso. E nem sequer imaginava fatos feitos com pele de tubarão. Mas isso não o impediu de nadar para a história nos Jogos Olímpicos de Munique com um registo impressionante de sete medalhas de ouro… e sete recordes mundiais.

Mark Spitz chegou à República Federal da Alemanha em 1972 depois de ter apanhado um banho de realidade em 1968, na Cidade do México. Confiante, tinha anunciado que iria vencer seis medalhas de ouro mas… esteve longe, muito longe disso. Era um jovem de 18 anos, com sangue na guelra, mas só conseguiu dois títulos – em provas de estafetas –, uma medalha de prata (100 metros mariposa) e uma de bronze (100 metros livres).

Na Alemanha, Spitz voltou a ser notícia ainda antes de competir pela primeira vez. Agora por causa do bigode. Durante as qualificações para os Jogos, o norte-americano que cresceu a nadar entre as praias do Havai e da Califórnia percebeu que esse era um tema que provocava grande debate.

«Havia tanta gente a falar disso que decidi mantê-lo. Nunca tinham visto isso de um atleta de elite. E não acho que fosse algo que me atrasasse, de nenhuma forma. Aliás, até ajudava a distrair os meus adversários», recordou, em declarações ao site dos Jogos Olímpicos.

Quando chegou a Munique, mais do mesmo. E, desta vez, Spitz demonstrou ainda mais que era um mestre dos jogos mentais. Depois de pedir autorização para nadar numa pista quando a piscina estava reservada pelos soviéticos, o nadador apercebeu-se que tinha deixado de haver gente a ver. Ou melhor, tinham apenas mudado de sítio, para uma espécie de janelas que havia no fundo da piscina.

«Enquanto nadava de um lado para o outro, percebi que havia umas janelas debaixo de água e flashes que disparavam sempre que eu passava. Por isso decidi fazer uns metros de costas e reparei que metade dos técnicos soviéticos tinham desaparecido: estavam todos lá em baixo. Foi nessa altura que comecei a fazer a braçada mais desajeitada que me lembrei», contou.

Mark Spitz era um caso de estudo para os soviéticos e, findo o treino, dispararam perguntas ao mesmo ritmo que tinham disparado os flashes. Queriam saber se aquela braçada era mesmo a dele, se ia rapar o bigode e se isso não o afetava. Foi nesta altura que Spitz inventou uma história sobre como o bigode ajudava a afastar a água da boca, melhorando as pausas para respiração, entre muitas outras… balelas. Os treinadores caíram que nem patinhos e, conta a lenda, grande parte dos nadadores da União Soviética apareceram com bigodes nas competições do ano seguinte.

Dentro de água, Mark Spitz foi impressionante. Manteve os jogos mentais, fingindo problemas físicos e desgaste enquanto as medalhas se iam acumulando, e até chegou mesmo a passar a ideia de que poderia abdicar de competir na sétima e derradeira prova, mas esteve sempre ao mais alto nível.

Ia nadar para a história… e sabia-o. Se em 1968 tinha sido demasiado presunçoso, em 1972 tinha razão para tal. E muito mais. Além de fazer história com sete medalhas de ouro (quatro provas individuais e três de estafetas), garantiu ainda recordes do mundo em cada uma delas.

Mark Spitz tornou-se uma lenda dos Jogos Olímpicos e inspirou gerações inteiras de nadadores. Só em 2008 o seu recorde caiu finalmente, pelas braçadas de um tal Michael Phelps.

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