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É Desporto

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08 de Julho, 2020

Liu Xiang. Um chinês de sofrimento prolongado

Rui Pedro Silva

Liu Xiang

Velocista chinês era um especialista das barreiras e considerado, sem favor, um dos melhores do mundo. O azar bateu-lhe sempre à porta e não conseguiu ganhar quando mais queria. Depois da enorme desilusão de Pequim em 2008, os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, voltaram a ser uma página para esquecer. A última de um livro que merecia mais.

Liu Xiang era uma das estrelas do desporto olímpico chinês mesmo antes de haver o impulso dos Jogos de Pequim, em 2008. Vencedor da medalha de ouro nos 110 metros barreiras em Atenas, com 21 anos, o atleta teve um início de século XXI memorável.

Foi medalha de bronze nos Mundiais de Paris, em 2003, prata em Helsínquia-2005 e ouro em Osaka-2007. Em Pequim, com as expectativas ao rubro, Xiang teve a primeira grande desilusão olímpica.

Nas eliminatórias dos 110 metros barreiras no Ninho de Pássaro, o chinês abandonou a pista depois de uma falsa partida de um rival sem prestar grandes explicações. Não estava em condições. Estava a sofrer de uma inflamação recorrente no tendão de Aquiles e não se sentiu capaz de completar a prova.

Apesar das promessas de recuperar a uma condição física perfeita, Xiang não voltou a competir nesse ano e falhou os Mundiais de 2009, em Berlim. Com os olhos em Londres-2012, a sua grande meta, voltou a subir ao pódio num grande palco quando foi medalha de prata em Daegu-2011.

Estava tudo pronto para o regresso ao palco olímpico. Sem lesões, com muita vontade de triunfar e… com o apoio de milhões de chineses. Só que o azar bateu-lhe à porta novamente. Uma vez mais, o tendão de Aquiles não quis nada com ele, provocando uma lesão grave que o fez cair na primeira barreira.

Desta vez, porém, Xiang insistiu em cruzar a meta, por uma questão de teimosia. O corpo traíra-o novamente, da pior maneira, mas o chinês não se incomodou. Chegou tarde, muito depois de todos os outros adversários, e só conseguiu abandonar o estádio de cadeira de rodas.

Parecia impossível mas não estava destinado. A estreia promissora em Atenas-2004 tinha sido sucedida por constantes problemas físicos. Sabendo que aquela era a sua despedida definitiva, beijou o último obstáculo e saiu pela porta pequena, apesar da enorme ovação do público.

Foi um fim inglório. Ninguém merecia, muito menos Liu Xiang.

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