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É Desporto

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09 de Fevereiro, 2022

Lindsey Jacobellis. A moral da história é melhor com recompensa

Rui Pedro Silva

Lindsey Jacobellis

É possível que nunca tenham ouvido falar em Lindsey Jacobellis até hoje. Norte-americana, brilha no snowboard há quase duas décadas e, apesar de ser uma das figuras mais dominadoras da modalidade, viveu na sombra de um erro que cometeu nos Jogos Olímpicos em Turim, em 2006.

A história completa está disponível no É Desporto mas, resumindo em poucas frases, era uma jovem irreverente quando quis dar espetáculo numa última manobra quando a medalha de ouro estava já ali à frente. Lindsey perdeu o primeiro lugar, teve de se contentar com a prata e, a partir daí, o karma encarregou-se de exponenciar a dimensão do fracasso de quatro em quatro anos.

Lindsey Jacobellis foi desqualificada em 2010, sofreu uma queda em 2014 e em 2018 não foi além do oitavo lugar. Agora, com 36 anos, é uma mulher feita. É das mais velhas em competição. Poucos acreditariam que poderia chegar a esta fase da carreira a lutar pelas mesmas vitórias, mas a perseverança foi recompensada e conquistou finalmente uma medalha de ouro.

A lição já tinha sido aprendida. Até já era utilizada como exemplo a todos os jovens que aparecem ano após ano com o rei na barriga e tendem a ter atitudes irrefletidas sem perceber a real importância de cada ação.

Não se querem atletas autómatos, sobretudo em modalidades mais viradas para o espetáculo como o snowboard, mas Lindsey Jacobellis pode explicar melhor do que ninguém como uma desatenção – se quisermos ser simpáticos – aos 20 anos se pode tornar num erro que será revivido para sempre.

Felizmente para Lindsey, e até para todas as gerações de atletas que vêm a seguir, houve um final feliz. Sim, é importante demonstrar que cada ação tem uma consequência e há momentos para tudo. Para a norte-americana, em 2006, o momento era para manter a concentração, cruzar a meta e só depois agir como campeã olímpica.

Mais importante ainda é conseguir mostrar que a redenção é possível e que as segundas oportunidades existem. Se estivéssemos a falar de um sistema prisional, estaríamos aqui a salientar a importância de permitir a reinserção na sociedade a quem cometeu um erro no passado.

Lindsey Jacobellis cometeu esse crime. Pagou por ele. Continuou a lutar. E, no momento em que voltou a estar na mesma situação, demonstrou que tinha aprendido, levou a vantagem com a seriedade que merecia, e pôde saborear finalmente o ouro.

Não desistiu, nunca desistiu. Foi uma piada em 2006 e o mundo continuou a atirar-lhe desafios nas edições seguintes. Teria sido demasiado simples mudar o rumo da carreira, esquecer os Jogos Olímpicos, sentir que as vitórias em todas as outras competições, seriam mais do que suficientes. Mas Lindsey Jacobellis decidiu partilhar este momento com o mundo do desporto. Com a vida em si.

A medalha de ouro foi para Lindsey Jacobellis, é verdade, mas representa muito mais do que isso. Foi uma vitória para os exemplos. Para as lições da realidade. Para mostrar que vale a pena continuar a lutar por algo que se perdeu no passado. Foi o triunfo da redenção. E aconteceu no maior palco, nos Jogos Olímpicos. É impossível não sorrir perante um momento destes.

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