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É Desporto

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03 de Abril, 2020

Laszlo Papp. O tricampeão que saiu da bancada

Especial Jogos Olímpicos (Melbourne-1956)

Rui Pedro Silva

Laszlo Papp

Falta de comparência de um pugilista fê-lo saltar para a ribalta do boxe na Hungria. Ganhou automaticamente um lugar na seleção e confirmou todo o seu talento nos Jogos Olímpicos, ao conquistar a medalha de ouro em três edições consecutivas. Talento foi coroado em 1956, em Melbourne.

Papp nasceu na Hungria em 1926, no seio de uma família pobre. O futuro que se lhe adivinhava não era grande coisa e as marcas da II Guerra Mundial não ajudaram a limpar o horizonte. À imagem de muitos outros rapazes da altura, Laszlo sonhou em ser jogador de futebol mas a vida trocou-lhe as voltas e, enquanto trabalhava para a companhia de caminhos-de-ferro, começou a praticar boxe.

Vivia-se o ano do fim da guerra e Laszlo Papp não era mais do que um simples desconhecido. Já praticava boxe há algum tempo mas era um pugilista sem credenciais. Um dia, a convite do seu treinador, foi assistir a um combate de Gyula Bicsak, um bombeiro que conquistava a simpatia dos fãs, mas o adversário não apareceu.

Foi o momento que catapultou Papp para a glória. O treinador convenceu-o a ocupar o lugar vago e, logo no segundo assalto, derrotou Bicsak com um knockout e provocou a incredulidade entre as testemunhas.

O feito de Papp chamou a atenção do mundo do boxe. A entrada na seleção foi a consequência natural e, apenas quatro dias depois, venceu pela primeira vez um adversário estrangeiro: um austríaco. Em menos de uma semana, Papp tinha passado de desconhecido a ídolo nacional.

A estreia nos Jogos Olímpicos em 1948, em Londres, confirmou a capacidade de Papp para singrar entre os melhores atletas amadores do mundo. Venceu todos os assaltos de todos os combates e conquistou a sua primeira medalha de ouro. Quatro anos depois, em Helsínquia, repetiu a gracinha, agora numa categoria de peso mais baixa.

Este canhoto de Budapeste, com golpes potentes e com um jogo de mãos contagiante, não esperava para ganhar. Sabia, e dizia-o muitas vezes, que a melhor forma de garantir a vitória era através do knockout. «Um adversário no chão não ganha combates», repetia até à exaustão para justificar a ausência de receio de ser vítima de árbitros com julgamentos polémicos.

Em Melbourne, na Austrália, o ciclo olímpico de Papp chegou ao fim. Tinha 30 anos, continuava a ser um pugilista amador, e tornou-se o primeiro da história a ser campeão olímpico em três edições distintas – o feito foi igualado mais tarde pelos cubanos Teófilo Stevenson e Félix Savón.

A terceira medalha de ouro foi também a mais difícil. Começou, como sempre, com um knockout, mas no combate de atribuição do título, frente ao norte-americano e futuro campeão do mundo José Torres, permitiu pela primeira vez a vitória num assalto a um adversário. Mas, feitas as contas, no final, a medalha de ouro não lhe fugiu.

A carreira como profissional não lhe sorriu da mesma forma. Falhou o objetivo de ser campeão mundial e, quando estava mais perto de o conseguir, foi vítima do regime húngaro, que lhe negou a autorização para sair do país e combater no estrangeiro. Até então, havia um pacto que lhe permitia ser profissional desde que lutasse sempre fora da Hungria mas naquele dia, quando o título estava mais perto do que nunca, foi barrado.

Esta foi a única “derrota” na sua carreira como profissional. Quando disse adeus, despediu-se com 27 vitórias e dois empates em 29 duelos: quinze foram ganhos por knockout. Como sempre preferiu.

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