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É Desporto

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17 de Abril, 2020

Larisa Latynina. O último capítulo de uma lenda olímpica

Especial Jogos Olímpicos (Tóquio-1964)

Rui Pedro Silva

Larisa Latynina

De meia dúzia em meia dúzia. Foi assim que a lendária ginasta da União Soviética ultrapassou patamares até atingir as 18 medalhas olímpicas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Na terceira presença, com 29 anos, voltou a bater recordes. Uns demoraram décadas a ser batidos, outros continuam de pedra e cal.

A história da vida de Larisa Latynina tem uma faceta demasiado capitalista para quem nasceu e cresceu na União Soviética. A ginasta chegou onde chegou por ser vítima da constante balança entre oferta e procura.

Nascida na Ucrânia, em 1934, tinha o sonho de ser bailarina. E foi esse objetivo que acalentou até aos 11 anos, altura em que o salão onde praticava fechou. Sem uma oferta idêntica na cidade, foi obrigada a procurar uma alternativa que lhe permitisse alcançar o mesmo prazer e, já agora, pudesse pôr em prática as suas características inatas e adquiridas enquanto praticou ballet.

A ginástica foi uma escolha natural. Não era o grande sonho da sua vida, mas acabou por ser o seu futuro. De uma forma que ninguém podia imaginar. Passo após passo, Latynina tornou-se uma das ginastas mais talentosas em toda a União Soviética e, quando chegou aos Jogos Olímpicos de Melbourne, em 1956, já era uma forte ameaça às medalhas.

Foi precisamente isso que aconteceu. Tinha 21 anos, o mundo pela frente, e não desiludiu, conquistando um total de seis medalhas, com destaque para quatro títulos olímpicos (prova por equipas, concurso completo, cavalo e solo). Em Roma, em 1960, repetiu a façanha, desta vez com três medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze.

Quando chegou ao Japão, em 1964, Latynina era já uma das melhores atletas olímpicas da história. Extravasava a ginástica artística e era reconhecida pelo seu talento e resultados impressionantes, fosse em Jogos Olímpicos ou em Mundiais da modalidade. Em Tóquio, Latynina estava já na fase descendente da carreira – não voltou a ganhar um título em Jogos, Mundiais ou Europeus depois disso – e teve de defrontar a checoslovaca Vera Caslavska, a nova sensação da modalidade.

A concorrência era grande mas o balanço final trouxe novamente seis medalhas, apesar de ser a participação mais «modesta» da ginasta: duas medalhas de ouro (com destaque para nova revalidação no solo), duas de prata e dois de bronze.

O balanço final não deixou dúvidas. Atingiu as 18 medalhas em Jogos Olímpicos, um feito que só viria a ser ultrapassado por Michael Phelps em Londres-2012, e elevou para 14 o número de medalhas em provas individuais. Quem a bateu? Lá está, Phelps, no Rio de Janeiro-2016.

Hoje, aos 84 anos, Latynina continua a ser a mulher mais medalhada na história dos Jogos Olímpicos e a ginasta – mulher ou homem – com mais pódios. E tudo isto em apenas três edições. Era um talento nato, encontrado graças ao fim do salão de ballet. Há males que vêm por bem.

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