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É Desporto

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12 de Maio, 2020

Landvoigt. Quando gémeos fizeram a dobradinha no remo

Especial Jogos Olímpicos (Moscovo-1980)

Rui Pedro Silva

Gémeos Landvoigt

Bernd e Jörg nasceram no mesmo dia, da mesma mãe e do mesmo pai, a 23 de março de 1951, na República Democrática da Alemanha. Gémeos, tornaram-se uma dupla inseparável no remo e chegaram aos Jogos Olímpicos de Moscovo, em 1980, como a melhor equipa daquela era. Confirmaram o favoritismo e revalidaram o título olímpico.

Há quem diga que as coisas boas chegam aos pares. Para os irmãos Landvoigt, é difícil refutar esta ideia. Gémeos, filhos de pai que trabalhava com barcos, desenvolveram uma paixão natural pelos desportos aquáticos e estrearam-se em Jogos Olímpicos em Munique-1972, numa variante com oito remadores.

A medalhe de bronze soube a pouco e, a partir daí, perceberam que o caminho passava por dependerem apenas um do outro. A partir de 1974, construíram um percurso hegemónico no qual perderam apenas uma das 180 corridas em que participaram. Completavam-se de forma perfeita. O equilíbrio em cima do barco era perfeito e a simbiose com que remavam, cada um do seu lado, elevava a subtileza dos movimentos ao Olimpo.

Quando chegaram a Moscovo, o historial falava por eles. Campeões olímpicos em 1976 e do mundo em 1974, 1975, 1978 e 1979, os Landvoigt eram candidatos crónicos ao lugar mais alto do pódio.

As três corridas em que participaram no Complexo Desportivo de Krylatskoye assemelharam-se a um qualquer passeio que se faça nos lagos de uma grande cidade. Na primeira série das eliminatórias, cumpriram a distância com quase 12 segundos de vantagem sobre uma dupla romena. Depois, na meia-final, deixaram dois britânicos a praticamente 11 segundos. Finalmente, na corrida pelo ouro, foram obrigados a dar tudo o que tinham para bater uma dupla por apenas dois segundos e meio.

E quem eram os principais adversários? Uns soviéticos chamados Yuriy Pimenov e Nikolay… Pimenov. Isso mesmo: partilhavam apelido, pais e… data de nascimento. Naquela tarde de 27 de julho, os gémeos da RDA bateram os gémeos da União Soviética.

O talento para o remo continuou na família Landvoigt e o filho de Jörg, Ike, chegou a ser campeão do mundo na prova de oito, na Finlândia em 1995. Mas, ao contrário do pai e do tio, nunca teve um irmão gémeo com quem pudesse fazer realmente a diferença. A tradição olímpica foi continuada, em Atlanta e Sydney, mas nunca conseguiu atingir a final.

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