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É Desporto

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Joe DiMaggio. A magia de quem foi casado com Marilyn Monroe

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É um dos nomes históricos associados aos Yankees e uma referência cultural famosa devido ao casamento com Marilyn Monroe. Mas o maior feito da carreira, num recorde que ainda perdura e dificilmente será batido, foi conseguir uma série de 56 jogos consecutivos com pelo menos um hit. 

 

O irmão que não queria pescar

 

O nome não engana. DiMaggio pode ter nascido na Califórnia, em 1914, mas os pais eram ambos emigrantes oriundos de Itália e tinham abandonado a Sicília à procura de melhores condições de vida. Giuseppe era pescador de profissão e tinha o sonho que os cinco filhos pudessem seguir o negócio da família.

 

Joe odiava pescar. O cheiro deixava-o mal-disposto e raramente contribuía, para desespero do pai. Com uma adolescência errante, encontrou o rumo quando um irmão mais velho, Vince, meteu uma cunha para que pudesse jogar basebol pelos San Francisco Seals, na Pacific Coast League.

 

Começou por ser apenas uma atividade mas Joe DiMaggio ficou inebriado pelo sucesso durante uma série de 61 hits consecutivos em 1933. «Só fiquei viciado em basebol depois dessa série. Conseguir um hit todos os dias tornou-se mais importante do que comer, beber ou dormir», recordou.

 

Os feitos de DiMaggio começaram a correr o país e os Yankees não perderam tempo e garantiram a contratação do jogador em 1934, a troco de 50 mil dólares e cinco jogadores.

 

Estreia ao lado de Lou Gehrig

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Babe Ruth despediu-se dos Yankees em 1934, Joe DiMaggio ainda jogou em San Francisco em 1935, tal como acordado com os Seals, e em 1936 houve finalmente a estreia, entrando à frente de Lou Gehrig a 3 de maio de 1936.

 

Os Yankees já eram a maior potência do basebol norte-americano mas não venciam uma World Series desde 1932. Com DiMaggio, a hegemonia renovou-se e pela primeira vez na história uma equipa foi campeã em quatro temporadas consecutivas.

 

A contribuição do italo-descendente foi imediata. Na época de estreia, bateu o recorde de home runs de um rookie dos Yankees, com 29. A marca só viria a ser ultrapassada em 2017, com Aaron Judge.

 

DiMaggio jogou até 1951 e os números ajudam a desenhar uma das carreiras mais brilhantes. Os nove títulos de campeão de DiMaggio (com a curiosidade de ter vencido nos primeiros quatro e nos últimos três anos, além de 1941 e 1943) só foram ultrapassados por Yogi Berra (10). De 1936 a 1951, registou 2214 hits, 361 home runs e foi eleito para o All-Star em 13 edições. Pelo meio, venceu três vezes o título de MVP na Liga Americana.

 

O último adeus foi dito com 37 anos, a 11 de dezembro de 1951, numa decisão mais racional do que qualquer outra: «Sinto que cheguei a uma fase onde já não consigo ajudar a minha equipa, o meu treinador e os meus colegas. Tive um ano mau mas mesmo que tivesse tido uma boa média, seria o último. Estava cheio de dores e mazelas e tinha-se tornado um castigo jogar. Quando o basebol já não é divertido, deixa de ser um jogo, por isso fiz o meu último jogo».

 

Um recorde memorável

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Joe DiMaggio teve os títulos, o reconhecimento, os home runs e uma vida muito mais abastada do que se tivesse cumprido o sonho do pai. Mas todos estes momentos de glória foram ofuscados – e continuam a ser – pelo recorde que bateu durante a temporada de 1941.

 

Uma marca que todos dizem ser inquebrável e consideram ser o feito mais extraordinário na história do desporto norte-americano. Entre 15 de maio e 16 de julho, durante o período em que a primeira mulher, Dorothy Arnold, estava grávida do seu filho, DiMaggio completou uma série de 56 jogos consecutivos a conseguir pelo menos um hit.

 

O recorde da era moderna pertencia a George Sisler, com 41, e DiMaggio até começou por dizer que não pensava em bater o recorde, que não estava preocupado com isso. Mas, como já tinha sentido quando jogava em San Francisco, rapidamente foi dominado pela adrenalina de manter o registo vivo. «É natural que queira bater o recorde, agora que estou tão perto», disse.

 

DiMaggio fez mais do que bater o recorde. Não só atingiu os 42 jogos consecutivos, a 29 de junho, como prolongou-o durante mais duas semanas, até ao jogo em Cleveland com os Indians, a 17 de julho.

 

Nesse dia, perante uma lotação recorde de 67469 adeptos, o mundo parou. «Quando era ele a bater, todo o banco dos Yankees ficava de pé e incentivava-o a acrescentar mais um hit. Sempre que ia para a base havia uma dimensão aumentada de importância», recordou um adepto dos Indians, Joseph Oriti.

 

«Conseguíamos ouvir o coração de toda a gente a bater, das duas equipas», disse o shortstop Lou Boudreau, responsável pela última eliminação do yankee nessa noite. «Estava destinado a acabar, mais tarde ou mais cedo», reconheceu DiMaggio. «Não estou feliz por a série ter terminado. Acho que aliviado é uma palavra melhor.»

 

O público estava dividido. Os Indians estavam a lutar com os Yankees pelo primeiro lugar na Liga Americana mas os adeptos não queriam perder a oportunidade de ver DiMaggio a prolongar um feito histórico. Talvez por isso Ken Keltner, o terceira-base que fez duas excelentes jogadas defensivas em duas eliminações, tenha precisado de escolta policial para sair do estádio.

 

O fim da série teve consequências imediatas e esse foi um dos lamentos do jogador. A Heinz tinha-lhe prometido dez mil dólares caso conseguisse chegar aos 57 jogos consecutivos, igualando o número que consta no rótulo das embalagens de ketchup.

 

A marca de Joe DiMaggio tornou-se um sinónimo de recorde inquebrável no basebol e desde então o mais próximo que alguém esteve de o igualar foi Pete Rose, em 1978, quando chegou aos 44 jogos consecutivos.

 

A relação com Marilyn Monroe

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O casamento com Dorothy Arnold durou entre 1939 e 1944. Dez anos depois, DiMaggio conheceu Marilyn Monroe e formou um dos casais mais mediáticos do século XX, embora a relação não tenha durado mais do que nove meses.

 

A estrela de Hollywood pediu o divórcio, alegando crueldade psicológica, e acabou por provocar uma mudança radical na vida do antigo jogador de basebol. DiMaggio começou a ser acompanhado por um terapeuta, deixou de beber álcool e começou a construir uma vida fora da modalidade.

 

Nunca esqueceu Monroe e os dois voltaram a dar-se com maior frequência depois do divórcio da atriz com Arthur Miller. O antigo jogador tentou sempre protegê-la daqueles que achava serem más influências.

 

Quando a atriz morreu, em 1962, foi DiMaggio a coordenar todos os pormenores do funeral e fez questão de vedar a cerimónia a outros famosos de Hollywood e à família Kennedy. Depois, durante vinte anos, mandou entregar meia dúzia de rosas três vezes por semana na campa da ex-mulher.

 

Joe DiMaggio nunca falou sobre a relação que manteve com Marilyn Monroe nem voltou a casar. Ainda que efémera, a ligação entre os dois foi referência entre inúmeras letras de músicas, com destaque para a Mrs Robinson, de Simon & Garfunkel, de 1968.

 

Where have you gone, Joe DiMaggio

Our nation turns its lonely eyes to you

Wu wu wu

What's that you say, Mrs. Robinson

Jolting Joe has left and gone away

Hey, hey, hey, hey, hey, hey

 

A letra provocou a surpresa de Joe DiMaggio que, ao encontrar Paul Simon, lhe perguntou o seu motivo, enumerando o que tinha andado a fazer nos últimos anos, com destaque para anúncios e papéis de porta-voz de um banco. «Não tinha um significado literal. Pensava nele como um herói americano, algo cada vez mais raro nos Estados Unidos», explicou-lhe o cantor na altura.

 

Quando DiMaggio morreu, em 1999, Paul Simon reiterou o sentido de homenagem, durante uma atuação no Yankee Stadium: «Numa era em que as polémicas e escândalos sexuais se repetem, honramos DiMaggio, a sua dignidade, o seu sentido de privacidade, a sua fidelidade à memória da mulher e o poder do seu silêncio».

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