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É Desporto

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23 de Julho, 2021

Helen Glover. Um regresso patrocinado pela pandemia

Rui Pedro Silva

Helen Glover

Facto aleatório sobre Helen Glover? Além do pai, a britânica de 35 anos aponta o fundista Haile Gebreselassie como um dos seus heróis. Não há necessariamente uma explicação identificada no seu perfil no site dos Jogos Olímpicos, mas talvez possa estar relacionado com a forma como percebeu que a vida tem muito mais de maratona do que de sprint.

Helen Glover está longe de ser uma desconhecida no mundo do desporto, mesmo que o remo não seja, à primeira vista (e segunda, e terceira, e quarta, e por aí fora…), uma modalidade que mova multidões. As comparações com outros desportos são sempre complicadas mas uma análise rápida ao seu currículo não deixa margem para dúvidas.

Helen Glover foi vice-campeã mundial em duplas sem timoneiro em 2010 e 2011. E campeã em 2013, 2014 e 2015. Nos Jogos Olímpicos, subiu ao lugar mais alto do pódio em Londres-2012 e Rio de Janeiro-2016. E, já este ano, foi campeã europeia em Varese. Embora este último título tenha sido já d.M. Ou seja, depois da maternidade.

Após a conquista do bicampeonato olímpico em 2016, Helen Glover tinha 30 anos e sentiu que tinha alcançado a satisfação no mundo do desporto. Estava na altura de dar lugar à família. O remo ia passar para segundo plano.

Foi mãe pela primeira vez em 2018 e novamente em 2020, desta feita de gémeos. Era ano olímpico, ou pelo menos assim se pensava, mas Glover tinha a cabeça noutro lado. Hoje, um ano depois, é claro que Helen está no lado dos atletas que beneficiaram dos adiamentos provocados pela pandemia. Se os Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020 se tivessem disputado realmente em 2020, o regresso da remadora provavelmente nunca se teria verificado. Mas, um ano depois, lá está ela no Japão à procura de fazer história.

A decisão de regressar à modalidade deu-se em janeiro de 2021, quatro anos depois do adeus oficial, e as marcas da «ferrugem desportiva» estavam lá. Helen Glover estava mais velha, sem ritmo e com um corpo diferente. «Quando pensei pela primeira vez no regresso, achei que seria apenas um bom sonho para ter, não fazia ideia que ia mesmo acontecer», afirmou.

Mas o sonho concretizou-se, como acontece com praticamente todos os milhares de atletas olímpicas que estão em Tóquio atrás de um objetivo mais palpável. Helen Glover queixou-se da falta de sono, dos níveis de ferro no corpo, de ainda estar a amamentar os gémeos e da fatura que todos estes fatores tinham no seu corpo. «Quando era mais nova, talvez me conseguisse safar. Agora o mais pequeno pormenor faz a diferença», disse.

O maior pormenor neste regresso de Helen Glover foi a motivação. Inspirada pela filha Willow, nascida em 2020, ganhou coragem de dar tudo o que tem e um pouco do que não tem. «Quero mostrar à minha filha do que somos capazes de sermos o que quisermos. E isso deixa-me muito inspirada, provavelmente ainda mais do que estava em Londres e no Rio de Janeiro», garantiu. Não vai ser fácil voltar a conquistar uma medalha mas este regresso não foi pensado para fazer ao sprint, é uma maratona. Ao jeito do seu herói etíope.

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