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É Desporto

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05 de Junho, 2020

Gail Devers. A mulher que ganhava sempre por uma unha… pintada

Rui Pedro Silva

Gail Devers

Velocista norte-americana enfrentou problemas de saúde graves e chegou a estar perto de terminar a carreira, mas regressou a tempo de uma dobradinha especial. Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, conquistou os 100 metros numa das finais mais equilibradas da história. Quatro anos depois, em Atlanta, mais do mesmo.

A carreira de Gail Devers não tinha conquistas significativas até chegar aos Jogos de Barcelona. Com dois títulos pan-americanos em 1987, em Indianápolis, nos 100 e nos 4x100 metros, Devers acumulou problemas de saúde que foram, durante demasiado tempo, mal diagnosticados.

Só em 1990, depois de a situação se agravar ainda mais, soube finalmente que sofria da Doença de Graves, uma doença autoimune que afeta a tiróide. Os tratamentos começaram imediatamente e, apesar de alguma melhoria dos sintomas, reagiu mal à radioterapia, perdeu a capacidade locomotora e os médicos chegaram a considerar a amputação dos pés.

Esse foi o toque de alerta: Devers recusou continuar o tratamento, melhorou gradualmente dos efeitos secundários, amenizou os sintomas iniciais e começou a olhar com a máxima determinação para os Jogos Olímpicos, naquela que seria a segunda participação.

Barreirista de excelência, foi nos 100 metros rasos que saltou para as bocas do mundo, ao vencer uma das finais mais emocionantes e equilibradas na história do atletismo feminino. A 1 de agosto, numa prova quase sempre liderada pela russa Irina Privalova, Devers fez uma prova de trás para a frente e venceu por uma unha negra. Ou melhor, talvez seja melhor dizer uma enorme unha pintada, já que foi essa a imagem de marca na carreira da norte-americana.

O quadro de resultados transmite na perfeição o equilíbrio da corrida: Devers ganhou com 10.82, seguida da jamaicana Juliet Cuthberg (10.83) e da russa Irina Privalova (10.84). O equilíbrio estendeu-se até à quinta classificada, uma vez que Gwen Torrence (10.86) e Merlene Ottey (10.88) lutaram por medalhas até à última passada.

Quatro anos depois, a correr em casa, em Atlanta, Devers voltou a mostrar que tinha um talento especial para ganhar por poucos centímetros. A jamaicana Merlene Ottey melhorou o quinto lugar de Barcelona e terminou com os mesmos 10.94 segundos de Gail Devers, forçando a um desempate no photo-finish. Aí, foi confirmada a vantagem de Devers, que assim se tornou a segunda atleta a revalidar um título olímpico na distância. Curiosamente, o terceiro lugar, com 10.96, foi para a quarta classificada de Barcelona, Gwen Torrence.

A campanha olímpica de Gail Devers incluiu ainda o título na estafeta dos 4x100 metros e participações modestas em 2000 e 2004.

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