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É Desporto

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16 de Março, 2020

Fanny Blankers-Koen. Uma dona de casa… voadora

Especial Jogos Olímpicos (Londres-1948)

Rui Pedro Silva

Fanny Blankers-Koen

Do autógrafo memorável de Jesse Owens na primeira participação em Berlim-1936 aos quatro títulos olímpicos em Londres-1948, Fanny transformou-se. Deixou de ser uma simples adolescente e, já com dois filhos, provou que a família não impede que se faça história no palco mais elevado do desporto mundial.

A entrada das mulheres no mundo das competições desportivas estava longe do auge. Ainda havia muita resistência e as provas de atletismo de corrida, por exemplo, continuavam limitadas às distâncias mais curtas. As atletas que superavam este desdém costumavam ser, na sua maioria, jovens, mas em 1948 houve uma holandesa, Fanny Blankers-Koen, que decidiu dinamitar o estereótipo.

Quando chegou a Londres, com 30 anos, Fanny já tinha dois filhos e não se mostrava minimamente incomodada com isso. A imprensa achou piada ao contexto desta participação e, depois de confirmar o domínio em pista, batizou-a com a alcunha de «Dona de Casa Voadora».

A paixão olímpica tinha nascido em Berlim, doze anos antes. Fanny era apenas uma jovem e sem grandes ambições para fazer a diferença. Participou no salto em altura e na estafeta dos 4x100 metros, motivada pelo futuro marido Jan Blankers – também ele um atleta olímpico -, mas não conseguiu qualquer pódio. Por outro lado, voltou para a Holanda com uma recordação especial: um autógrafo de Jesse Owens

Em 1948, a história foi diferente: ela é que acabou a dar autógrafos. A exposição ao desporto durante toda a sua vida era impossível de esconder. O pai fora atleta nos lançamentos do peso e do disco, o marido tinha experiência olímpica e ela, desde muito jovem, tinha praticado inúmeros desportos com sucesso, desde o ténis à corrida, passando pela natação, esgrima, patinagem e ginástica.

Foi no atletismo que se concentrou… e com boas razões para isso. O domínio a nível nacional e europeu começava a manifestar-se mas talvez ninguém conseguisse prever com exatidão a história que Fanny Blankers-Koen ia escrever em Londres.

Ganhou a medalha de ouro nos 100 metros para começar e tornou-se a primeira holandesa a ser campeã olímpica no atletismo. Mas não ficou satisfeita, juntando os títulos dos 200 metros, 80 metros barreiras e da estafeta dos 4x100 metros.

O «autografado» passou a «autogrofador». Doze anos depois de Jesse Owens ter vencido quatro provas no atletismo, Fanny Blankers-Koen imitou-o e alcançou um feito inédito, ainda hoje, na história da competição feminina na modalidade.

Considerada a atleta feminina do século em 1999, Blankers-Koen perdeu a oportunidade de conseguir uma proeza ainda mais irrepetível. A holandesa queria ter participado também no salto em altura e no salto em comprimento – as suas melhores marcas eram superiores às que valeram as medalhas de ouro – mas o calendário apertado não permitiu.

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