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É Desporto

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Dorando Pietri. O derrotado mais acarinhado da história

Especial Jogos Olímpicos (Londres-1908)

Dorando Pietri

Italiano liderava a maratona de Londres em 1908 até à entrada no estádio mas estava fora de si, perdeu os sentidos e colapsou no chão. Organizadores ajudaram-no a levantar-se e a cruzar a meta pelo próprio pé, mas protesto da comitiva dos Estados Unidos forçou a sua desqualificação. Falta de medalha não impediu que se tornasse um favorito… do público e da rainha.

Dorando Pietri era um dos principais favoritos à conquista da maratona de Londres e esteve muito perto de confirmar o que se pensava. Esteve praticamente sempre nos primeiros lugares da corrida e entrou no estádio isolado, com uma vantagem relevante sobre o norte-americano Johnny Hayes.

Mas ali, naquele momento, Dorando Pietri já não era ele mesmo. O desgaste acumulado dos mais de 40 quilómetros percorridos tinha-o obrigado a entrar numa dimensão transcendental, irracional, em que já não sabia quem era ou o que estava a fazer.

Se dúvidas existissem, o seu comportamento enquanto dava a volta à pista esclareceu qualquer insistência. Pietri começou por cair no chão. Depois de se levantar, voltou a correr, mas na direção errada. Finalmente, como num último sopro de energia, regressou ao meio do chão e por lá ficou, sem dar sinal de vida.

Os organizadores sentiram que tinham de intervir, não podiam deixar que um homem morresse estatelado na pista, com a rainha Alexandra de Inglaterra nas bancadas. Levaram-no em ombros, ainda sem recuperar os sentidos, mas, já mais perto da meta, Pietri voltou a si e acabou mesmo por terminar a prova… conscientemente.

O público britânico saudou-o com uma energia contagiante. Tinha assistido a todo aquele cenário com o coração nas mãos e gerara uma empatia automática com aquele ser humano em sofrimento. Menos preocupado com isso, Johnny Hayes cruzou a meta, sem qualquer tipo de dificuldade, cerca de meio minuto depois.

A comitiva dos Estados Unidos protestou. Pietri tinha recebido um auxílio proibido para terminar e, como tal, não restava outra alternativa à organização que não fosse a desqualificação do italiano. E foi mesmo isso que acabou por acontecer, despedaçando os corações da multidão e de todos aqueles que tinham tomado conhecimento do que se tinha passado.

Sem medalha, Pietri conseguiu ganhar. «Não tenho medalha, nem diploma, nem uma coroa de louro para lhe dar, senhor Pietri, mas, para que não leve só más recordações do nosso país, receba esta taça de ouro como prova da nossa admiração pelo seu comportamento», disse-lhe a rainha Alexandra.

Os ingleses quiseram contribuir também e, através do jornal Daily Mail e do famoso escritor Arthur Conan Doyle, «pai» de Sherlock Holmes, organizaram uma angariação de fundos em favor do pasteleiro italiano. Resultado: 300 libras e a capacidade para seguir a sua vida com outro fôlego… desde que não fosse obrigado a correr até ficar inconsciente.

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