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É Desporto

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21 de Maio, 2020

Carl Lewis. Na pegada de Jesse Owens

Rui Pedro Silva

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Norte-americano teve um verão de 1984 memorável. Começou por ser escolhido no draft da NBA pelos Chicago Bulls (manobra de marketing) e acabou a garantir um pleno de medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos que só tinha sido alcançado por Jesse Owens: 100 metros, 200 metros, 4x100 metros e salto em comprimento. Foi o início de uma carreira impressionante.

As comparações entre Jesse Owens e Carl Lewis existem e fazem sentido. São ambos norte-americanos e conseguiram vencer as mesmas quatro medalhas de ouro numa mesma edição de Jogos Olímpicos. Porém, o background dos dois é diferente. Se Jesse Owens cresceu com muitas dificuldades e fazia dos 100 metros a sua prova de eleição, Carl Lewis sempre foi muito mais um homem de saltos.

A paixão pelo salto em comprimento nasceu ainda em criança, por culpa do tempo que passava na caixa de areia a ver os pais treinar outros atletas. Dia após dia, o interesse aumentava, tal como a qualidade.

A velocidade surgiu por arrasto e, em vésperas dos Jogos Olímpicos de Moscovo, em 1980, nos quais os Estados Unidos acabariam por não participar, Lewis era já uma figura nacional no comprimento e na estafeta dos 4x100 metros.

Quatro anos depois, em Los Angeles, sentia-se que Carl Lewis poderia igualar a façanha de Jesse Owens. O cartão de vista, exibido nos Mundiais de Helsínquia do ano anterior, era promissor: medalha de ouro nos 100, 4x100 e comprimento. Como seria a competir em casa? E que possibilidade teria nos 200 metros?

A primeira medalha de ouro apareceu nos 100 metros. A 4 de agosto, o norte-americano foi o único finalista a baixar dos dez segundos (9,99) e venceu a prova, superando Sam Graddy (10,19) e Ben Johnson (10,22) no pódio.

Dois dias depois, foi a vez da final do salto em comprimento. A superioridade de Carl Lewis foi esmagadora: fez 8,54 metros no primeiro ensaio e, depois de um salto nulo na segunda tentativa, decidiu abdicar do resto do concurso, ganhando confortavelmente com 30 centímetros de vantagem sobre o australiano Gary Honey e o italiano Giovanni Evangelisti.

Por esta altura, Carl Lewis competira em quatro dias consecutivos. E aquele 6 de agosto foi rico em provas. Apesar de ter tentado apenas dois saltos no comprimento, também já tinha corrido as eliminatórias e os quartos-de-final dos 200 metros, garantindo a presença nas meias-finais, agendadas para 8 de agosto.

Carl Lewis evitou sempre o confronto direto com os seus compatriotas, os outros grandes favoritos ao triunfo. Depois de passear na meia-final, correu a final com o objetivo em disputa e… não vacilou. Pelo contrário: percorreu o duplo hectómetro com um tempo de 19,80 segundos e estabeleceu um novo recorde olímpico, batendo Kirk Baptiste e Thomas Jefferson por 16 e 46 centésimos, respetivamente.

Faltava o mais fácil: a estafeta dos 4x100 metros. Lewis ficou, naturalmente, para o último percurso e teve o prazer de cortar a meta com dois feitos especiais – bateu o recorde mundial da prova (37,83 segundos) e igualou o feito de Jesse Owens, o norte-americano mais famoso na história do atletismo olímpico.

Nas edições seguintes, Carl Lewis confirmou sempre que aquele tetra olímpico não tinha sido um acaso. Rei do salto em comprimento, revalidou o título em 1988, 1992 e 1996, entrando para uma elite especial de atletas que venceram a mesma prova em quatro edições consecutivas (juntando-se a Paul Elvstrom da vela e Al Oerter do lançamento do disco e, mais tarde, acompanhado por Michael Phelps na natação).

Os feitos de Lewis incluíram também as medalhas de ouro nas provas de 100 metros em Seul (depois da desqualificação de Ben Johnson) e dos 4x100 em Barcelona – terminando com um total de nove títulos olímpicos. Na única vez que subiu ao pódio sem ser para receber a medalha de ouro, foi segundo classificado nos 200 metros em Seul.

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