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É Desporto

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22 de Julho, 2021

Brady Ellison. O Cowboy do Arizona curado por energia positiva

Rui Pedro Silva

Brady Ellison

«Ninguém conseguia perceber o que estava errado. Cheguei a um ponto em que pensei que tinha de desistir. Não aguentava mais. Não valia a pena.» A carreira de Brady Ellison, o Cowboy do Arizona, esteve por um fio em 2018 mas, como em tantas vezes na sua vida, conseguiu descobrir um caminho para voltar à ribalta no tiro com arco.

O norte-americano de 32 anos não é um novato nestas andanças. Conquistou uma medalha de prata em Londres-2012 e saiu do Rio de Janeiro-2016 com o segundo lugar na prova coletiva e o bronze na competição individual. Para o atirador que tem lutado contra todas as probabilidades, subir finalmente ao lugar mais alto do pódio é o objetivo que resta.

A vida de Brady deu muitas voltas. Houve mesmo uma altura em que não conseguia sequer subir para cima... das próprias pernas. Quando era criança, com cinco anos, foi diagnosticado com a Doença de Perthes, e esteve mais de um ano com um auxílio para conseguir andar até que as ancas recuperassem.

Mais de vinte anos depois, as lesões voltaram a aparecer e estiveram perto de ditar o fim da carreira. Brady Ellison nunca foi completamente saudável mas o tiro com arco, uma modalidade que nasceu da vontade de acompanhar as aventuras do pai e do avô na caça, nunca lhe exigiu muito. E os resultados apareceram.

A sua carreira está longe de se resumir à experiência olímpica. Neste momento, o norte-americano é recordista do mundo. E venceu a medalha de ouro no último Mundial, disputado nos Países Baixos, em 2019. Foi a primeira vez, e única até agora, que conseguiu subir ao lugar mais alto do pódio numa prova individual.

E aconteceu já depois de uma dor insistente num dedo lhe ter indicado que o fim podia estar próximo. A solução estava na Eslovénia. Uma vez mais, diga-se, porque foi também no país de Luka Doncic e Tadej Pogacar que Brady Ellison encontrou o amor da sua vida, numa outra atleta do tiro com arco (Toja Cerne).

Mas falemos então dos seus problemas num dedo, que começaram em 2012. A dor, com origem num nervo, afetava o dedo médio da mão direita e impedia que pudesse competir a um nível elevado. Quando piorou, entre 2017 e 2018, competir transformou-se num calvário. E foi então que, numa medida de quase desespero, recorreu aos serviços de um… bioenergeticista.

E o que fez este especialista? Praticamente nada, ao que parece. «Não me deu medicação e mal me tocou. Acho que é uma daquelas pessoas que tem uma frequência muito elevada de energia no corpo. É um dom e consegue usá-lo para curar pessoas», contou Brady Ellison em 2019, ao mesmo tempo que garantia que nunca tinha atirado tantas flechas na carreira sem um único sinal de dor.

Resta saber se a energia descoberta na Eslovénia conseguirá ajudá-lo também a fazer a diferença em Tóquio, rumo à tão desejada medalha de ouro. Além da prova individual, fará também equipa com a prodígio adolescente Casey Kaufhold. «É bom para o desporto e para o futuro termos provas mistas. É interessante ver homens e mulheres juntos no tiro com arco. É uma excelente prova de que as mulheres também são muito boas, até porque muitas vezes conseguem alcançar melhores pontuações do que os homens», disse.

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