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É Desporto

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27 de Maio, 2020

Ben Johnson. Um herói de asas queimadas

Rui Pedro Silva

Ben Johnson

Canadiano de origem jamaicana era o recordista mundial quando chegou aos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, e prometia fazer ainda melhor. Na final dos 100 metros, de facto, melhorou a marca que já lhe pertencia mas os momentos de glória estavam perto do fim. Três dias depois, foi revelado que estava dopado e nada voltou a ser o mesmo.

Carl Lewis podia ser o herói, por culpa dos quatro títulos alcançados em Los Angeles-1984, mas o mediatismo estava agora do lado de Ben Johnson. Desde que alcançara a medalha de bronze olímpica nos 100 metros, o canadiano brilhara em Mundiais e estabelecera um novo recorde da distância: 9,83 segundos em Roma-1987.

A suspeição existia – e Carl Lewis chegou a falar disso abertamente, ainda que sem mencionar nomes concretos –, mas Ben Johnson nunca se deixou afetar. Não queria que nada o pudesse afastar da medalha de ouro em Seul.

A entrada em ação foi tranquila: venceu a sua série das eliminatórias com um tempo de 10,37 segundos, foi um dos repescados nos quartos de final após fazer 10,11 e atingiu a final graças a um registo de 10,03 (o terceiro melhor de toda a competição até então).

Quando os finalistas entraram para a pista, os olhos estavam postos em Johnson e Lewis, campeão olímpico em título e único a baixar dos 10 segundos durante as eliminatórias. Pouco tempo depois, ninguém conseguiria ignorar a prestação do canadiano.

Partiu de forma supersónica e teve uns últimos 50 metros meteóricos. Fez a corrida perfeita, deixou a multidão em delírio e estabeleceu um novo recorde mundial: uns sensacionais 9,79 segundos, quatro centésimos abaixo da sua anterior marca.

Ben Johnson era um herói mas de… asas queimadas. O período de glória e reconhecimento mundial durou apenas três dias. Foi o tempo necessário para o Comité Olímpico Internacional receber os resultados do controlo antidoping que tinha sido feito. O canadiano tinha acusado positivo a um esteróide e ficou com a carreira destruída.

Os dias que se seguiram intensificaram a ideia de que o velocista era um herói com pés de barro, sobretudo depois de ter confessado que o doping começara em 1981. Perdeu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, permitindo a Carl Lewis revalidar o título, e viu também os seus resultados dos Mundiais do ano anterior (ar livre e pista coberta) serem anulados.

Os dois recordes mundiais foram apagados e Carl Lewis, sem saber, voltou a ser o detentor da melhor marca, graças ao tempo conseguido na final de Seul (9,92 segundos). Os 9,79 voltaram a parecer uma marca impossível de alcançar e só em junho de 1999, em Atenas, foram igualados, pelo norte-americano Maurice Greene.

Ben Johnson foi suspenso e só regressou à competição em 1991, a tempo de garantir a qualificação para os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Aí, sem auxílios ilegais, foi uma sombra de si mesmo e falhou o apuramento para a final.

Hoje, mais de 30 anos depois da polémica, o recorde está nuns impressionantes 9,58 segundos e pertence ao incontornável Usain Bolt.

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