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É Desporto

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Argentina. A maldição das derrotas que ainda não foi quebrada

Argentina garantiu o apuramento para o Mundial-2019

Foi a pior equipa do Mundial-2003, com três derrotas, um golo marcado e 15 sofridos e repetiu a gracinha quatro anos depois, novamente com três derrotas, um golo marcado e 18 sofridos. Foram as únicas duas experiências das sul-americanas entre a elite, que detêm um recorde que não interessa a ninguém. Em 2019 vai ter uma nova oportunidade.

 

A edição da fase final dos Estados Unidos em 2003 marcou a primeira vez na história em que o Brasil surgiu com uma companhia da CONMEBOL. Apesar de a FIFA não ter alterado o número de participantes, a distribuição de vagas tinha sido modificada e as argentinas beneficiaram do facto de terem ficado no segundo lugar do torneio sul-americano.

 

A expectativa era grande mas o balanço final não deixa dúvida: «Mostraram falta de qualidade e experiência para progredir na prova e terminaram em quarto lugar no grupo». Orientadas por José Caros Borrelo, eram vistas como uma equipa lenta, fisicamente fraca e com poucas opções. Podiam ser boas tecnicamente e ter o sangue argentino na guelra mas isso não era, claramente, suficiente.

 

As possibilidades de recrutamento também não eram grandes e, das vinte jogadores convocadas, oito chegaram aos Estados Unidos sem clube. De resto, havia sete do Boca Juniors, duas do River Plate, uma do Gimnasia y Esgrima, uma do Banfield e uma do Independiente.

 

Num grupo com Japão, Canadá e Alemanha, os resultados não chegaram a estar sequer em dúvida. Na estreia, com as nipónicas, sofreram um golo logo aos 13 minutos e determinaram todo o azar que viriam a ter em fases finais. O resultado acabou com um inapelável 6-0 e Natalia Gatti foi expulsa aos 38 minutos. O mote estava dado para as derrotas por 3-0 com o Canadá e 6-1 com a Alemanha, num jogo que pelo menos é lembrado pelo primeiro golo da seleção na competição. A autora? Gaitán, Yanina Gaitán.

 

Quatro anos depois, mais do mesmo. A Argentina apresentava-se como uma seleção com mais experiência mas a média de idades (22 anos e um mês) era a mais baixa entre as 16 seleções. Desta vez, havia apenas uma jogadora sem clube e o Boca Juniors voltava a ser o clube mais representado (9), mas o grupo com Alemanha, Japão (outra vez) e Inglaterra trouxe novos amargos de boca.

Onze golos sofridos e nem um marcado para amostra

Vanina Correa, jogadora de uma equipa chamada Renato Cesarini, foi o expoente máximo da humilhação argentina. Foi a guarda-redes que começou a prova como titular e que sofreu os onze golos que a Alemanha marcou no 11-0 a 10 de setembro de 2007. É a maior diferença de golos de sempre num jogo de uma fase final.

 

As alterações para o segundo jogo, com o Japão, incluíram, entre outras, a mudança de guarda-redes. Romina Ferro não só fez melhor do que Vanina Correa como a Argentina chegou a saborear um ponto que seria tão importante. O tempo foi passando e só depois dos 90, no primeiro minuto dos descontos, é que as nipónicas desbloquearam o nulo, por culpa de um golo de Yuki Nagasato.

 

A melhor oportunidade da Argentina tinha sido perdida. No jogo seguinte, apesar de Ferro continuar na baliza, a resistência defensiva foi de manteiga. A Inglaterra foi mais forte e partiu para uma goleada confortável por 6-1. Curiosamente, até foi uma argentina a marcar o primeiro golo do jogo, aos nove minutos. Mas Eva González, a capitã da seleção, introduziu a bola na baliza errada. Mais tarde, na segunda parte, com 3-0 no marcador, a defesa do Boca Juniors redimiu-se e juntou-se a Gaitán na curta lista de marcadoras em fases finais.

 

Foi a última vez que a Argentina entrou em campo num Mundial. A CONMEBOL continuou a ter duas representantes, mas a fava tem estado a saltar de país em país. Em 2011, calhou à Colômbia. Num grupo com Suécia, EUA e Coreia do Norte, as colombianas somaram um ponto com as asiáticas (0-0) e sofreram duas derrotas dignas (0-1 vs. Suécia e 0-3 vs. EUA).

 

O mesmo não se pode dizer do Equador em 2015, que começou goleado pelos Camarões (0-6) e sofreu outra goleada histórica com a Suíça (1-10), num jogo em que Fabienne Humm marcou três golos num espaço de cinco minutos e nem assim teve o hat-trick mais impressionante da tarde. Esse pertenceu a Angie Ponce, autora de dois autogolos (24’ e 71’) e um remate com sucesso na baliza certa (64’). A terminar, perderam com o Japão (0-1), mas pelo menos desta vez o desfecho não foi tão trágico, uma vez que o golo decisivo foi marcado aos cinco minutos.

 

Este ano, em França, a CONMEBOL vai ter três seleções. O crónico Brasil, o estreante Chile (no grupo com EUA, Suécia e Tailândia) e… a regressada Argentina. Será desta? O objetivo de conseguir pelo menos um ponto será posto à prova num quadro com Inglaterra, Escócia e, mais uma vez, Japão.

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