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É Desporto

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25 de Maio, 2020

Anthony Nesty. O surpreendente campeão do Suriname

Rui Pedro Silva

Anthony Nesty

Nasceu em Trindade e Tobago mas foi com as cores do Suriname que fez história ao tornar-se o primeiro homem negro a vencer uma prova de natação. Na final dos 100 metros mariposa dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, contrariou de forma espetacular o favoritismo de Matt Biondi.

Falar de natação nos Jogos Olímpicos que a Coreia do Sul organizou é falar de Matt Biondi. O norte-americano, que já trazia um título de Los Angeles-1984, prometia mundos e fundos para igualar o recorde de sete medalhas de ouro de Mark Spitz. Quis o destino que o fracasso fosse confirmado logo na primeira final, nos 200 metros livres, quando não foi além da medalha de bronze.

Dois dias depois, novo fracasso. E este ainda mais surpreendente. Na final dos 100 metros mariposa, Biondi parecia lançado para o primeiro título olímpico em Seul e dobrou os 50 metros com uma vantagem significativa. Nas derradeiras braçadas parecia já ter a medalha ao pescoço mas calculou mal a distância para a parede e foi superado, por um único centésimo, por Anthony Nesty. Que era negro. E competia pelo Suriname. E tinha acabado de estabelecer um novo recorde olímpico.

Matt Biondi prosseguiu o seu percurso natural, conquistando cinco medalhas de ouro nas cinco provas restantes, e Anthony Nesty «desapareceu» do mapa, mas não sem antes fazer história. Afinal, tinha sido o primeiro nadador negro da história a conquistar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos.

Nascido em Trindade e Tobago, em 1967, mudou-se com a família para o Suriname quando tinha apenas sete meses. Nadar passou a ser parte da sua vida a partir de uma idade precoce – cinco anos – e nunca parou de evoluir. As presenças nas primeiras competições demonstraram que tinha um talento peculiar para um país como o Suriname e, depois da presença modesta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, foi convidado para ficar a estudar – e treinar – na Florida.

Durante os quatro anos seguintes, evoluiu e mostrou que podia competir entre a elite. Mesmo assim, poucos eram os que esperavam que fosse capaz de se intrometer na luta pela medalha de ouro, vindo de um país sem tradição, com uma comitiva de apenas oito atletas na Coreia do Sul e sem um único pódio para amostra nas competições anteriores.

O triunfo catapultou-o. Nesty era especialista na mariposa e tornou-se uma lenda dos 100 metros daquele estilo, vencendo todas as provas durante os três anos seguintes. Depois, em Barcelona-1992, voltou a surgir em bom nível, mas não foi além da medalha de bronze.

Para o Suriname, voltou a ser um momento histórico, ou não fossem estas as duas únicas medalhas da sua história – mesmo hoje, depois de tantos anos. Nesty foi elevado a herói nacional e toda a gente o conhecia, toda a gente queria falar com ele, estar com ele, dizer que o conhecia. Num país com pouca tradição desportiva, Nesty tornou-se, merecidamente, uma lenda.

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