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É Desporto

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06 de Abril, 2021

Andrzej Grubba. O homem que tirou Dwight Schrute da Pensilvânia

Rui Pedro Silva

Andrzej Grubba

«Todos os meus heróis são jogadores de ténis de mesa. Zoran Primorac, Jan-Ove Waldner, Wang Tao, Jörg Rosskopf, e claro, Ashraf Helmy. Tenho até um poster em tamanho real do Hugo Hoyama na parede. E a primeira vez que saí da Pensilvânia foi para ir à introdução ao Hall of Fame do Andrzej Grubba.»

A citação é ficcional e pertence a Dwight Schrute, personagem da série norte-americana The Office, durante o oitavo episódio da quarta temporada. Uma das figuras mais castiças da série é conhecido pelas suas excentricidades e se a paixão pelo ténis de mesa pode ser surpreendente, inclusive a forma como domina Jim Halpert na sala de reuniões, o mesmo não se pode dizer de todas as escolhas feitas.

Vamos por partes?

Zoran Primorac é croata, foi medalha de prata em duplas nos Jogos Olímpicos de Seul (1988), tem um total de 14 medalhas em Europeus, seis em Mundiais e outras seis em Taça do Mundo.

Jan-Ove Waldner é sueco, foi campeão olímpico em Barcelona-1992, tem seis títulos mundiais num total de 16 pódios, 11 títulos europeus em 21 pódios e foi introduzido no Hall of Fame da federação internacional de ténis de mesa em 2003. O chinês Wang Tao também mereceu essa honra no mesmo ano depois de três medalhas olímpicas (um ouro em pares em Barcelona-1992), e de sete ouros, uma prata e um bronze em Mundiais.

O alemão Jörg Rosskopf tem duas medalhas olímpicas, quatro mundiais e três em Taças do Mundo, enquanto o egípcio Ashraf Helmy esteve presente em três Jogos Olímpicos (1988, 1992 e 2000) sem vencer uma única medalha. Por último, Hugo Hoyama detém o recorde de brasileiro de mais medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos (dez) mas nunca chegou ao pódio olímpico, entre Barcelona-1992 e Londres-2012.

Andrzej Grubba

Chegamos, finalmente, a Andrzej Grubba. O polaco, nascido a 14 de maio de 1958, foi uma potência do ténis de mesa nacional, mas talvez não mereça o rótulo de maior destaque que lhe é dado por Dwight Schrute, ao ponto de sair pela primeira vez da Pensilvânia para ir à cerimónia de introdução no Hall of Fame. Até porque… Grubba não está na Hall of Fame da federação internacional de ténis de mesa.

A federação tem regras claras e um atleta só pode ser elegível quando tiver conquistado um total acumulado de cinco medalhas de ouro nos Mundiais, Jogos Olímpicos e Jogos Paralímpicos. E Andrzej Grubba tem… um total de zero medalhas olímpicas e três medalhas em Mundiais: bronze por equipas em Gotemburgo-1985, bronze em pares em Nova Deli-1987 e bronze em singulares em Dortmund-1989.

Com uma medalha de ouro, duas de prata e duas de bronze na Taça do Mundo, Grubba foi sempre uma maior potência em Europeus, com uma medalha de ouro (pares mistos em Budapeste-1982 com a holandesa Bettina Vresekoop), quatro de prata e seis de bronze. Este currículo valeu-lhe uma menção diferente, com menor impacto, para a Hall of Fame da federação europeia de ténis de mesa. Seria essa a referência de Dwight Schrute?

A ausência de títulos de maior renome no panorama mundial não retira impacto à importância que Grubba desempenhou no desporto polaco. Considerado como o melhor atleta da modalidade na história do país, serviu também como um importante impulso para a prática do ténis de mesa a partir da década de 80.

Como tantos outros jovens na altura, Andrzej cresceu durante a década de 60 a sonhar com estádios de futebol. A carreira de futebolista nunca chegou e, apesar de ter tentado a sorte no andebol e no atletismo, foi no ténis de mesa que se notabilizou verdadeiramente.

Aproveitando a rivalidade saudável com o amigo Leszek Kucharski, foi evoluindo através dos vários patamares do desporto polaco e não demorou muito até ser visto como um ídolo. O jogador canhoto, que jogava com a mão direita mas que se destacava por alternar durante as jogadas, saltou fronteiras e chegou a representar o Zugbrucke Grenzau da República Federal da Alemanha.

À sua medida, Andrzej Grubba foi um pioneiro. Não só no desporto polaco mas também nos duelos contra os chineses, considerados naturalmente como os mais sobredotados na modalidade. O seu mediatismo fez com que o público se apaixonasse por ele e lotasse pavilhões sempre que jogava. Podia não ter a sala de medalhas repleta como outros mesatenistas, mas numa década em que Lato e Boniek eram heróis, Grubba conseguiu ser protagonista e uma inspiração para polacos.

Andrzej Grubba morreu a 21 de julho de 2005, vítima de um cancro de pulmão, com 47 anos. O episódio de The Office estreou mais de dois anos depois, em novembro de 2007.

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