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É Desporto

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29 de Julho, 2021

Alessandra Perilli. A medalha histórica de San Marino

Rui Pedro Silva

Alessandra Perilli

San Marino é um país com pouco mais de 30 mil pessoas e está em festa absoluta depois de Alessandra Perilli ter conquistado a medalha de bronze na prova de fosso olímpico nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Qualquer país pequeno com pouca tradição costuma festejar estes momentos, mas esta celebração não tem comparação. Literalmente. San Marino nunca tinha vencido uma medalha olímpica.

Alessandra Perilli fez história de inúmeras maneiras. Não é apenas a primeira medalhada na história de San Marino como deu ao seu país o título de mais pequeno território do mundo a alcançar um pódio nos Jogos Olímpicos, roubando o estatuto às Bermudas, que este ano até já venceu a sua primeira medalha de ouro de sempre (e a segunda na história).

Não é preciso improvisar muito para dizer que San Marino não tem uma grande tradição desportiva. No que aos Jogos Olímpicos diz respeito, o país estreou-se em Roma, em 1960, e desde então teve apenas 77 atletas com esse estatuto até chegar a Tóquio.

A lista não deixa grande margem para dúvidas: há modalidades que são apenas representadas marginalmente, como o judo com quatro, a vela com três, o tiro com arco, o ténis e o halterofilismo com dois e a ginástica e a luta com um; há modalidades que têm um pouco mais tradição, como o atletismo com 12, a natação com 11 e o ciclismo com 10; e depois há uma claramente destacada de todas as outras – o tiro, com 29.

Sim, os sanmarinenses são tão dedicados que esta é a única modalidade que teve representantes em todas as edições desde 1960. Em 1980 e 1984 chegaram mesmo a ter dez atletas diferentes em prova. Não espanta, portanto, que a primeira medalha tenha chegado daí.

Com cinco atletas em Tóquio, o tiro é a única modalidade com mais de um: um homem, Gian Marco Berti, e uma mulher, Alessandra Perilli. Se o primeiro chegou a estar nos lugares da frente nas primeiras rondas de qualificação mas teve uma última série de 25 para esquecer, a segunda não deixou escapar um feito histórico e foi precisa como nunca a premir o gatilho.

Alessandra Perilli terminou as cinco rondas de qualificação com apenas três tiros falhados (122 em 125) e ocupava a segunda posição. Depois, na ronda decisiva, esteve uns furos abaixo e falhou 11 em 40 oportunidades, mas mesmo assim foi suficiente para subir ao pódio atrás da norte-americana Kayle Browning (prata) e da eslovaca Zuzana Rehak Sfefeceova (ouro).

Com 33 anos, e ainda com aspirações a um pódio na prova mista com Gian Marco Berti, Perilli não vai esquecer este momento. Depois de falhar o pódio por muito pouco em Londres (quarta classificada) e de um modesto 16.º posto no Rio de Janeiro, a sanmarinense alcançou finalmente um objetivo que milhares (33, vá) de pessoas desejavam.

A atleta que nasceu em Itália e que se tornou cidadã de San Marino com 18 anos, via nacionalidade da mãe, tornou-se uma heroína nacional e já sabe que o futuro não voltará a ser igual. No tiro desde 2001, pelas mãos do pai, quando ainda só tinha 13 anos, evoluiu ao ponto de subir a um dos três lugares mais desejados nos Jogos Olímpicos. Finalmente, diga-se.

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