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É Desporto

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10 de Junho, 2020

Aleksandr Popov. Ser o mais rápido do mundo… outra vez

Rui Pedro Silva

Aleksandr Popov

Nasceu na União Soviética, começou a brilhar ao serviço da Equipa Unificada e atingiu o apogeu da sua carreira já com as cores da Rússia. Numa elite exclusiva, com o pai do surf e o Tarzan, entrou na história da natação mundial nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996.

Há nomes inesquecíveis. Os feitos de Michael Phelps em Pequim-2008 e de Mark Spitz em Munique-1972 garantiram a imortalidade dos norte-americanos e elevaram a fasquia para dimensões que se consideravam inimagináveis até então.

A natação é uma modalidade dura. Não tem contacto físico mas exige uma entrega absoluta desde o primeiro momento, com muito treino, muito esforço mental e uma capacidade para encontrar, nos pequenos detalhes, frações de segundo decisivas.

Grande parte dos nadadores são-no desde muito jovens. Um dos campeões de 1896, Alfred Hajos, começou a nadar depois de o pai ter morrido afogado no Danúbio em Budapeste. Há todo o tipo de motivações e primeiros contactos com a água. No caso de Aleksandr Popov, tudo começou com medo.

O soviético, nascido na Rússia, não gostava de água, tinha medo dela, e não achou muita graça quando o pai o «atirou» para a natação com oito anos. Como em tantas outras coisas na vida, a paixão entranhou-se depois da estranheza. E Popov partiu para uma carreira inédita.

Não foi um nadador completo, como Spitz ou Phelps, mas era um especialista nato. Talvez mesmo o melhor sprinter da história. Tem esse rótulo e é merecido. Em 1992, já ao serviço da Equipa Unificada após o desmembramento da União Soviética, e numa altura que tinha abandonado o estilo de costas para se dedicar ao estilo livre, Popov brilhou em Barcelona com as medalhas de ouro nos 50 e nos 100 metros.

Era o mais rápido, não havia dúvida disso. Tinha acabado de conquistar o topo do pódio nas duas distâncias mais curtas, no estilo mais rápido, do programa da natação. E estava apenas a começar.

Quatro anos depois, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, começou por defender o título nos 100 metros. Se o fizesse, entraria para uma elite onde estavam apenas o pai do surf (Duke Kahanamoku, que venceu em 1912 e 1920) e o Tarzan mais famoso na história do cinema (Johnny Weissmuller, que ganhou em 1924 e 1928).

Aleksandr não desiludiu. Cumpriu a distância com 48.74 segundos, igualou o recorde nacional, e terminou com sete centésimos de vantagem sobre o norte-americano Gary Hall Jr. Ficavam a faltar apenas os 50 metros, com a prova marcada para três dias depois.

É a distância mais curta – nada-se apenas uma piscina olímpica – e não há espaço para respirar: tanto para quem nada como para quem assiste. O recorde olímpico na altura pertencia a Popov, estabelecido em Barcelona, e era de 21.91 segundos, um décimo mais lento do que o recorde mundial. Num evento destes, tudo podia acontecer… menos Popov ser derrotado.

Gary Hall Jr. foi novamente o grande adversário do russo – e nadavam em pistas coladas -, mas foi incapaz de evitar que Popov fizesse história, tornando-se o único nadador na história a defender com êxito o título olímpico nas duas distâncias.

Popov era especial e os Jogos de Atlanta demonstraram-no.

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