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É Desporto

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26 de Julho, 2021

Abdullah Al-Rashidi. Voltar a mostrar ao filho como se faz

Rui Pedro Silva

Abdullah Al-Rashidi

A vida de Abdullah Al-Rashidi podia ser levada ao grande ecrã pelos mesmos criadores da vida de Benjamin Button. Não por estar cada vez mais jovem mas sim por parecer seguir uma evolução contrária ao mais habitual em Jogos Olímpicos.

Se o desporto – e não apenas o olímpico – está cheio de histórias em que os filhos seguem as pisadas dos pais, neste caso do atirador kuwaitiano, a ordem natural das coisas foi precisamente a oposta, numa história que começa em 2012.

Nos Jogos Olímpicos de Londres, no tiro, na disciplina de armas de caça, Talal Al-Rashidi teve uma exibição muito modesta e terminou na 26.ª posição entre 34 atletas, muito longe das medalhas. E quem é Talal? O filho de Abdullah.

A paixão pelo tiro faz parte da família. Com 12 anos, Abdullah começou a ir com frequência para o deserto com o pai praticar caça. Já adulto, com 25, começou a competir profissionalmente e a estreia nos Jogos Olímpicos deu-se em Atlanta, em 1996, com 32 anos.

Os resultados de Abdullah nunca foram muito bons. Foi 42.º na estreia e desde então somou um 14.º posto, dois nonos lugares e em Londres, a competir na mesma edição do filho, não foi além da 21.ª posição.

Mas acabou por ser a presença do filho que o catapultou para uma nova dimensão e, a partir do Rio de Janeiro, tudo mudou – mas na categoria de skeet. Mesmo impedido de competir pelo Kuwait, Abdullah Al-Rashidi representou a equipa de Atletas Independentes e, equipado com uma camisola do Arsenal comprada pelo filho, conquistou a medalha de bronze.

A alcunha do Arsenal, «gunners», podia ser um bonito simbolismo, mas Abdullah Al-Rashidi desconhecia a coincidência. «Não fazia ideia. Foi uma camisola que o meu filho me ofereceu. Comprou-me para os Jogos Olímpicos e gosto muito dela», disse na altura.

Cinco anos depois, já com as cores do Kuwait, Abdullah Al-Rashidi demonstrou que a experiência pode mesmo ser um posto – sobretudo no tiro – e voltou a conquistar uma medalha de bronze, desta feita sem camisolas de clubes ingleses.

O clique que separa a mediania de um pódio olímpico surge quando menos se espera e para Abdullah esse clique parece ter sido a estreia do filho. Foi preciso Talal competir – sem nenhum sucesso – para somar medalhas consecutivas e mostrar ao seu herdeiro como se faz. Talvez tenha sido o instinto paternal a disparar mais alto.

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